O que virá depois? Retirar o voto dos negros, das mulheres?
O deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) propôs, nesta quarta-feira (18.06), uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para impedir que beneficiários do Bolsa Família possam votar caso recebam o auxílio por mais de um ano.
Bibo afirmou que o atual modelo do Bolsa Família promove dependência do Estado e configura, segundo ele, uma forma indireta de compra de votos. “Não sou contra o auxílio, mas sou contra o salário permanente. Há pessoas há 11 anos recebendo. Isso é voto comprado”, declarou. Segundo o deputado, o benefício precisa ser limitado a um período de até um ano, como medida para preservar a isenção do processo eleitoral.
Segundo o Fatos de Brasília, ao justificar a futura PEC, Nunes afirmou que é necessário garantir votos “conscientes” e evitar distorções causadas por eleitores que, na sua visão, votariam apenas por gratidão ao auxílio recebido. “Quem recebe salário do governo há mais de um ano não pode votar. Pode votar, sim, mas não pode continuar recebendo o auxílio durante esse tempo todo”, argumentou.
Ao final do discurso, o deputado reiterou sua defesa de valores conservadores e convocou os eleitores de direita a se manterem mobilizados. “Estamos aqui pela causa, para defender você que precisa do nosso apoio. Todos rumo ao progresso e ao desenvolvimento”, concluiu.
Jair Bolsonaro também se posicionou a favor de impedir o voto dos beneficiários do Bolsa Família
Em 2005, quando era deputado federal do baixo clero, Jair Bolsonaro disse na Câmara dos Deputados que os beneficiários do Bolsa Família não deveriam poder votar: “não se pode permitir que qualquer um possa votar. Para votar nas eleições pelo Brasil afora o eleitor deveria ter, no mínimo, uma carteira de trabalho, um contracheque, um emprego; caso contrário, as eleições são decididas pelos alijados, os chamados excluídos que darão seu voto pela inclusão no Bolsa Família…”, disse ele.
Em março de 2025, foi a vez do bolsonarista senador Marcos do Val (Podemos), sugerir um projeto que proibisse os beneficiários do Bolsa Família de votar.
O que mostra que o novo ataque de Bibo Nunes, do mesmo partido de Jair Bolsonaro não é casual. É método. Ideologia de Extrema-Direita.
Nenhum parlamentar de Direita questiona quantas bolsas família os ricos ganham através de isenções. O chamado bolsa- juros. Vale ressaltar que o gasto do governo federal com benefícios fiscais e subsídios em taxas de juros supera o dobro do custo anual de todas parcelas do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) pagas a mais de 25 milhões de pessoas. Juntos, esses programas sociais custarão R$ 268 bilhões à União, segundo o Orçamento. O chamado gasto tributário supera os R$ 615 bilhões. O gasto tributário são os gastos com setores ou grupos específicos sem contrapartida adequada, notória ou comprovada para o desenvolvimento econômico sustentável ou redução das desigualdades.
O agronegócio é um dos setores mais subsidiados pelo País, como demonstra o Plano Safra 2024/2025.
Subsídio é um auxílio, uma ajuda, um aporte, um benefício. É um valor monetário fixado e concedido pelo Estado. É uma subvenção (auxílio monetário concedido pelos poderes públicos). Nenhum deles propôs retirar o direito de voto destes.
Não se engane, entre os pobres e os ricos, eles sempre estarão a favor dos ricos. Na luta entre o Bolsa Família e a Bolsa de Valores, a opção desse tipo de político é pela segunda
Imagem de capa- Correio do Brasil
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