Médicos da UPA do Segundo Distrito denunciam pressão e risco à segurança nos atendimentos

Médicos da UPA do Segundo Distrito denunciam pressão e risco à segurança nos atendimentos

Médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Segundo Distrito, em Rio Branco, denunciaram ao Alerta Cidade uma série de irregularidades que, segundo eles, colocam em risco não apenas a saúde dos profissionais, mas também a segurança dos pacientes atendidos diariamente na unidade. A categoria busca apoio do Sindicato dos Médicos do Acre (SINDMED), do Conselho Regional de Medicina (CRM) e do Ministério Público do Estado para que a situação seja apurada com urgência.

De acordo com os relatos, os profissionais estão sendo submetidos a pressões constantes por parte da equipe de acolhimento da unidade para acelerar o ritmo dos atendimentos, muitas vezes sob ordens impositivas. O resultado tem sido uma sobrecarga insustentável. Há relatos de médicos realizando até 60 atendimentos por plantão, o que, segundo eles, representa uma condição de trabalho degradante.

“Não somos máquinas. Atender 60 pacientes em um único dia é uma condição desumana”, declarou um médico sob anonimato, com receio de retaliações.

Outro ponto que preocupa a categoria é o vínculo estreito entre a atual diretora da unidade e a equipe de acolhimento. A gestora, que anteriormente chefiava esse setor, agora estaria influenciando diretamente as diretrizes repassadas aos acolhedores, intensificando a cobrança por maior produtividade sem considerar as limitações humanas e técnicas da equipe médica.

Os profissionais também criticam a classificação de risco adotada pela triagem, que, segundo eles, estaria sendo utilizada de maneira equivocada. Casos crônicos e sem urgência vêm sendo frequentemente classificados como “amarelos” ou “verdes”, aumentando o número de pacientes na fila de atendimento médico, mesmo sem real necessidade de urgência. A ausência de classificações “azuis” – que indicariam pacientes sem necessidade de pronto atendimento – reforça as suspeitas de distorção nos protocolos de triagem.

A situação tem gerado desgaste físico, emocional e psicológico nos profissionais da saúde, que alertam para o risco iminente de erros médicos por exaustão. O grupo exige providências imediatas e reafirma a necessidade de condições mínimas de trabalho, respeito à ética profissional e, acima de tudo, segurança para os pacientes.

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