Recessão: multinacionais abandonam a Argentina e alimentam êxodo empresarial

Recessão: multinacionais abandonam a Argentina e alimentam êxodo empresarial

Mercedes-Benz, Carrefour, Clorox e Telefónica anunciam saída do país; analistas alertam para desconfiança crescente

A saída de empresas estrangeiras do mercado argentino acendeu o sinal de alerta entre analistas e investidores porque evidencia o cenário de instabilidade política e econômica sob o governo de Javier Milei.

Até mesmo o megacampo de gás e petróleo de Vaca Muerta, considerado a maior aposta energética do país, tem sido afetado por esse movimento: TotalEnergies, ExxonMobil, Enap Sipetrol e Petronas estão entre as companhias que optaram por sair do setor nos últimos meses.

O tipo de câmbio e o baixo nível de consumo são fatores apontados como fatores de desestímulo assim como a queda da atividade econômica, as mudanças frequentes nas regras do jogo, a baixa taxa de investimento e a imprevisibilidade de políticas de ciência e tecnologia.

Analistas observam que embora a agenda ultraliberal de Javier Milei busque agradar o capital estrangeiro, com incentivos fiscais e flexibilização cambial,  não gerou confiança suficiente para investir na Argentina. Um dos principais fracassos apontados foi a flexibilização do chamado “cepo cambial”. A medida visava atrair capital externo, mas teve o efeito contrário: aumentou a fuga de capitais e a retenção de divisas.

O Risco-País argentino permanece acima dos 700 pontos — um patamar muito superior ao dos países vizinhos e um claro indicativo da desconfiança dos mercados internacionais.

Enquanto o governo argentino tenta emplacar sua narrativa de abertura econômica e reformas estruturais, os dados e os anúncios recentes indicam que a travessia para um ambiente mais estável e confiável ainda está longe do fim. O recado das multinacionais que deixam o país é claro: sem estabilidade política e segurança jurídica, nem mesmo as promessas mais ortodoxas do liberalismo conseguem segurar os investimentos.

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