Rodrigo Paz considerado centro-direita tem o apoio da ex-vereadora de Senador Guiomard, Ocenilza Saraiva
O eleitor do senador Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão (PDC), se manteve oculto. Durante toda a campanha não chegou a 10% das intenções de voto em todas as pesquisas. A abertura das urnas mostrou que ele lidera com mais de 32 % dos votos contra cerca de 26% do ex-presidente conservador Jorge “Tuto” Quiroga, da coalizão Alianza.
Os dois vão para o 2º turno em 19 de outubro.
O candidato do MAS, partido do atual presidente Luís Arce e do ex-presidente Evo Morales, Eduardo de Castillo, registrou menos de 4% dos votos.
A ex-vereadora de Senador Guiomard, Ocenilza Saraiva, que integra a campanha de Rodrigo Paz, está em Santa Cruz de La Sierra, onde comemora a vitória junto com o candidato.
Divisão da esquerda
O ex-presidente Evo Morales, figura central do MAS, foi impedido de concorrer e convocou boicote às eleições. O atual presidente Luís Arce que se transformou em adversário de Evo, não concorreu. Com isso, o candidato do MAS, teve o pior resultado de uma geração. Mas o eleitor boliviano não embarcou na aventura ultra direitista de Tuto Quiroga.
Quiroga
Jorge Fernando “Tuto” Quiroga Ramírez foi vice-presidente da Bolívia de 1997 a 2001 e presidente do país de 2001 a 2002. Tuto foi porta-voz internacional do país durante o breve governo golpista de Jeanine Áñez (atualmente presa) de 2019 a 2020. A missão de Tuto no governo Áñez era denunciar ao mundo supostas violações de direitos humanos durante o governo Evo Morales, como faz Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Ultra liberal, formado na universidade do Texas, EUA, Tuto se cercou de tecnocratas linha-dura do livre-mercado e reprimiu manifestações com a força.
Quiroga promete cortes agressivos nos gastos públicos e uma guinada na política externa, afastando o país das alianças com Venezuela, Cuba e Nicarágua.
Rodrigo Paz
Rodrigo Paz é filho do ex-presidente da Bolívia, Jaime Paz Zamora, fundador do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), e organizador da resistência clandestina contra o regime militar do general Hugo Banzer Suárez. Paz passou a infância e a adolescência em exílio político, consequência da atividade política de seu pai durante as ditaduras militares da década de 1970 e início da década de 1980. Ele é formado em Relações Internacionais com especialização em Economia e mestrado em Gestão Política.
Sua proposta central é descentralizar a administração pública por meio de um “modelo econômico 50-50”: metade do orçamento ficaria sob responsabilidade do governo central e a outra metade seria destinada às administrações regionais.
Economia em crise: o fator decisivo nas urnas
A votação ocorreu sob forte pressão econômica. A inflação disparou para 23% em junho, mais que o dobro da registrada em janeiro, e já supera a de países da região duramente atingidos durante a pandemia. Além disso, a escassez de combustíveis e de dólares vem afetando diretamente a vida da população. A Bolívia não tem dólares e enfrenta obrigações que precisam ser pagas em dólares.
De acordo com analistas, esse quadro levou milhões de eleitores a punirem o MAS, abrindo espaço para a ascensão do centro e da direita, que juntos somaram cerca de três quartos da votação, segundo a contagem preliminar.
Para o segundo turno, o cenário é de confronto entre um projeto de descentralização e moderação, liderado por Paz, e a proposta de reformas radicais no campo econômico e geopolítico, defendida por Quiroga.
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