Segundo os jornais estadunidenses, The New York Times e Wall Street Journal, o presidente dos EUA instruiu Pentágono a deslocar forças para países como Venezuela e o México
A imprensa estadunidense afirma que Donald Trump assinou secretamente uma diretiva em que instrui o Pentágono a usar a força militar em regiões da América Latina para combater cartéis de droga.
Segundo os jornais dos Estados Unidos, Trump ordenou que tropas mirem grupos no México e na Venezuela, como o Tren de Aragua e o MS-13. A orientação sugere ações em solo, por mar e ataques aéreos. O Brasil não está incluindo inicialmente no programa.
O The New York Times informa que militares já começaram a planejar as operações. E o Wall Street Journal diz que o plano contempla operações com forças especiais, apoio de inteligência e ataques de precisão.
Operações secretas e objetivos políticos
O uso de força militar na América Latina, marca uma escalada preocupante na militarização da chamada “guerra às drogas” e levanta alertas sobre o possível uso político dessas ações para desestabilizar governos considerados adversários de Washington.
Algumas dessas organizações latino-americanas foram formalmente designadas pela Casa Branca como organizações terroristas estrangeiras, o que amplia as possibilidades legais para ações militares e operações secretas. Trump pressionou o Brasil a classificar as facções criminosas que atuam no país como organizações terroristas, o que possibilitaria ações de militares dos EUA dentro do território brasileiro. O Brasil não aceitou, apesar da pressão da Extrema-Direita brasileira.
Em abril, Trump também pressionou a presidente mexicana Claudia Sheinbaum por telefone para permitir maior envolvimento militar dos EUA em território mexicano. A presidente também resistiu à proposta e defendeu a soberania nacional.
“Trata-se do país deles, não tem a ver com nosso território”, afirmou Sheinbaum. “Os EUA não virão ao México com suas forças armadas.”
Fontes ouvidas pelos jornais revelam que o governo Trump estuda um modelo de atuação inspirado nas operações contra os cartéis colombianos nas décadas passadas, o que inclui ações secretas lideradas por agentes de inteligência e militares americanos operando com forças locais.
A estratégia, porém, não se limita ao combate ao tráfico. A classificação de cartéis como terroristas pode abrir margem para justificar ações militares em territórios estrangeiros sob o pretexto da segurança nacional, criando precedentes perigosos. Em um cenário geopolítico instável, essas medidas podem ser usadas como instrumento de pressão ou interferência política em governos da região que não se alinham com os interesses de Washington.
O próprio secretário de Estado, Marco Rubio, defendeu publicamente essa abordagem mais agressiva: “Não podemos continuar tratando esses grupos como gangues locais. Eles têm as mesmas armas e táticas de terroristas e militares”, afirmou à emissora católica EWTN. Ele concluiu: “Não é mais uma questão policial. É uma questão de segurança nacional.”
Analistas alertam que a retórica e as ações de Trump podem acirrar tensões diplomáticas, comprometer a soberania de países latino-americanos e gerar instabilidade regional. A militarização do combate às drogas, sob um viés político e geoestratégico, sinaliza um novo capítulo na já complexa relação entre os Estados Unidos e seus vizinhos ao sul.
Detalhes a serem considerados
Os Estados Unidos oferecem recompensa pela captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e nesta quinta-feira, 7, os EUA aumentaram para US$ 50 milhões a recompensa pela prisão de Maduro a quem acusam de colaborar com grupos como Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa.
Os EUA mantém mais de 76 bases militares na América Latina. Entre as mais conhecidas, destacam: 12 no Panamá, 12 em Porto Rico. !7 delas em países vizinhos do Brasil, sendo 9 na Colômbia e 8 no Peru.
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