Bem viver: algumas plantas favorecem o aparecimento de escorpiões em áreas residenciais

Bem viver: algumas plantas favorecem o aparecimento de escorpiões em áreas residenciais

Agosto e setembro são os meses de maior incidência de picadas de escorpião

A incidência de picadas de escorpião no Brasil varia de acordo com as mudanças climáticas. No entanto, entre agosto e setembro, os animais se reproduzem e buscam alimentos, aumentando a quantidade de ataques. Adaptados aos ambientes urbanos, os aracnídeos encontram abrigo em entulhos, ralos e frestas, onde costumam se alimentar de baratas.

A picada de escorpião causa problemas em todas as vítimas mas em crianças e idosos, os casos costumam ser mais graves, podendo levar à morte. Elas causam agitação, espasmos musculares, movimentos anormais da cabeça, pescoço e olhos, náuseas, vômitos, salivação excessiva, convulsões, hipotermia e risco aumentado de arritmias, que podem evoluir para parada cardiorrespiratória.

“O veneno é mais perigoso para crianças e idosos porque esses grupos têm um organismo menor ou mais frágil, que permite a rápida circulação do veneno com efeitos potencialmente fatais no coração e demais órgãos vitais”, explica a professora de ciências Ana Paula Rossi Rodrigues.

Picadas de escorpião podem ser fatais em 3 horas

As técnicas caseiras não são recomendadas e podem piorar a situação. “Não é recomendado tentar retirar o veneno de nenhuma forma. Também não chupe, não corte a pele, não aplique pomadas, álcool ou qualquer substância no local, e nunca faça torniquetes”, explica o médico Igor Mochiutti. “Cerca de 70% dos óbitos ocorrem nas três primeiras horas após a picada”, alerta Igor.

As crianças e os idosos são o grupo de risco. No Brasil, cerca de 60% das mortes por escorpionismo ocorrem em menores de 14 anos. “Crianças têm menor peso corporal e acabam recebendo uma maior concentração do veneno em relação ao tamanho do corpo, o que aumenta significativamente o risco de complicações graves” explica o médico.

O médico recomenda, que se possível, deve ser tirada uma foto do escorpião para auxiliar na identificação da espécie. “Isso pode contribuir para uma análise da gravidade do acidente. No entanto, nunca tente capturar o animal vivo, pois isso aumenta o risco de novas picadas”, esclarece Mochiutti.

Com relação aos sintomas, o médico explica que eles podem surgir poucos minutos após a picada e indica a necessidade urgente de atendimento médico.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Sudorese intensa (suor excessivo)
  • Agitação ou confusão mental
  • Tremores
  • Náuseas e vômitos
  • Sialorreia (Salivação excessiva)
  • Hipertensão ou Hipotensão (Pressão muito alta ou muito baixa)
  • Arritmias (alterações nos batimentos cardíacos)
  • Dispneia (Dificuldade para respirar)
  • Hipotermia (temperatura corporal baixa)
  • Palidez cutânea

uso do soro antiescorpiônico será indicado conforme a gravidade do caso, sempre por um profissional habilitado.

 A presença de determinadas plantas no jardim pode favorecer o aparecimento de escorpiões em áreas residenciais, como bromélias e palmeiras. O acúmulo de folhas secas e massa verde densa com frestas criam ambientes úmidos e sombreados que funcionam como abrigo para esses animais peçonhentos.

Plantas que oferecem risco

  •  Bromélias-tanque: estudos mostram que o escorpião Tityus neglectus utiliza essas plantas como abrigo e área de caça. A roseta da bromélia acumula água, fornecendo um microambiente favorável para os aracnídeos. Embora a toxina dessa espécie não seja grave para humanos, a pesquisa evidencia o risco de se manter bromélias próximas a áreas de circulação.
  •  Palmeiras com “saia” de folhas secas: a palmeira-leque mexicana (Washingtonia robusta) é apontada em estudos internacionais como abrigo para ratos, cobras e escorpiões. As folhas mortas, quando não retiradas, formam frestas ideais para animais peçonhentos. O manejo periódico é recomendado até que a planta atinja a fase “autolimpante”.
  •  Vegetação densa e com frestas: touceiras muito fechadas, trepadeiras compactas e pilhas de folhas secas criam locais úmidos e pouco iluminados, atraindo escorpiões urbanos, que também buscam alimento (principalmente baratas) e água.

Como reduzir os riscos

O Instituto Butantan orienta que o foco deve estar na prevenção ambiental, e não em plantas supostamente repelentes. Entre as medidas indicadas estão:

  •  Manter quintais limpos, sem acúmulo de entulho ou folhas secas;
  •  Retirar folhas mortas de palmeiras e podar regularmente touceiras;
  •  Manter vasos e canteiros afastados das paredes;
  •  Vedar ralos, portas e frestas e instalar telas em janelas;
  •  Controlar a população de baratas e outros insetos.

O que fazer em caso de picada

Em situações de acidente, os especialistas recomendam lavar o local com água e sabão, aplicar compressa morna para aliviar a dor e procurar atendimento médico imediato. Apenas profissionais de saúde podem avaliar a gravidade do caso e indicar a necessidade de aplicação de soro antiescorpiônico.

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