Gilberto recebeu apoio de Bolsonaro na última eleição do Crea-MG (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais), em 2023
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta (17) a Operação Rejeito, em Minas Gerais, contra uma organização criminosa que atuava na mineração irregular, com suspeitas de corrupção, fraudes ambientais e lavagem de dinheiro. Entre os presos está Gilberto Henrique Horta de Carvalho, conhecido como Gilberto Carvalho, bolsonarista radical e aliado de Nikolas Ferreira (PL-MG).
Apontado como lobista político do grupo, ele teria articulado pressões na Assembleia Legislativa para favorecer empresas ligadas ao esquema. Segundo a PF, a quadrilha corrompia servidores estaduais e federais para obter licenças ambientais fraudulentas, usadas para explorar minério de ferro até mesmo em áreas de preservação e locais tombados.
As operações ilegais renderam lucro estimado de R$ 1,5 bilhão, e projetos em andamento poderiam alcançar R$ 18 bilhões. Foram cumpridos 79 mandados de busca e apreensão e 22 de prisão preventiva, além do bloqueio de ativos e suspensão de empresas.
A lista de presos inclui ainda o delegado Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da PF em Minas, que ganhou fama em 2018 ao investigar o atentado contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG). Para os investigadores, o esquema contava com uma ampla rede de empresários, servidores e lobistas, articulados inclusive por meio de grupos de WhatsApp, como o “Três Amigos Mineração”.
Em nota, a PF afirmou que os envolvidos poderão responder por crimes como usurpação de bens da União, corrupção ativa e passiva, crimes ambientais, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A operação foi autorizada por um colegiado de juízes federais em Minas, que também determinou o sequestro de bens e a suspensão de dezenas de mineradoras e consultorias.
Nas redes sociais, Carvalho se apresentava como “empresário, cristão e de direita” e exaltava figuras como Enéas Carneiro. Ostentava viagens aos Estados Unidos, participava de festas do PL em Belo Horizonte e mostrava sua proximidade com Nikolas Ferreira, Bruno Engler e a família Bolsonaro.
Além das prisões, diretores da Agência Nacional de Mineração (ANM) e da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) foram afastados, e grandes companhias de mineração tiveram suas atividades suspensas. Entre elas, empresas que movimentaram bilhões de reais nos últimos anos. As informações são do DCM
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