Tensão mundial: dois brasileiros que integram a Flotilha Sumud Global estão desaparecidos

Tensão mundial: dois brasileiros que integram a Flotilha Sumud Global estão desaparecidos

Dos 17 brasileiros que integram a Flotilha Sumud Global em missão humanitária à Gaza, 12 estão detidos pelas forças militares de Israel e dois desaparecidos

João Aguiar estava no veleiro Mikenos e o documentarista que atua na área de Direitos Humanos, Miguel de Castro no barco Catalina, os dois barcos que conseguiram romper o bloqueio da marinha israelense.

As informações estão desencontradas. Algumas dão conta que o veleiro Mikenos estava a uma distância de 2 km de Gaza. Outros afirmam que o barco Catalina já teria aportado em Gaza. A esperança é que os dois pequenos barcos tenham efetivamente chegado em terras palestinas em segurança porque os tripulantes não seguiram o protocolo de enviar mensagem automática denunciando o sequestro ao serem interceptados. Os vídeos dizem “se você está vendo esta mensagem é porque fui sequestrada (o) por Israel…” A mensagem automática dispara assim que os celulares são jogados ao mar. Mas, o comando digital dos celulares pode ter falhado.

O pai de Miguel acredita que o barco do filho foi interceptado pela marinha israelense porque Israel não se sujeitaria ao mico de ser  enganado por dois pequenos barcos. Para se ter uma ideia do tamanho dos barcos basta dizer que o Catalina transportava apenas 7 pessoas sob o comando de um capitão espanhol.

Luiz Rodolfo Viveiros de Castro, pai de Miguel só sabe que o filho está desaparecido desde ontem, 01 de outubro.  Ele se comunicava com o filho de 10 em 10 minutos.

De um total de 500 pessoas de 47 países em mais de 50 embarcações que foram presas e nomeadas, 13 são brasileiros, entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e o ativista Thiago Ávilla.

No vídeo abaixo, Thiago Ávilla corajosamente confrontou os militares israelenses ao responder à ordem da marinha de Israel que determinou o retorno do barco. Thiago peita os militares israelenses e informa que o barco não iria retornar porque desconhece a jurisdição de Israel em águas internacionais e portanto a ordem é ilegal. Reforça que a missão é desarmada, é uma ação humanitária que leva medicamentos e alimentos ao povo palestino e que o governo genocida de Israel está matando a população de Gaza.

Thiago foi preso junto com a ativista sueca Greta Thunberg, em junho deste ano em outra missão da Flotilha. O brasileiro se recusou a assinar uma confissão de violação de espaço restrito, imposta pelo governo de Israel e por isso foi mantido preso durante vários dias. Os dois foram advertidos pelo governo Netanyahu que se voltassem a tentar entrar em Gaza seriam tratados como terroristas.
Desta vez, a marinha israelense interceptou 30 embarcações da Flotilha Sumud Global quando estas estavam a cerca de 241 km da Faixa de Gaza.
Os ativistas sequestrados foram levados para o porto de Ashdod, no território palestino ocupado por Israel onde enfrentam restrições ao acesso à assistência jurídica legal. Sofrem interrogatórios sem apoio consular ou jurídico. Não foi autorizada a entrada de membros da embaixada brasileira.
Entre os capturados estão os brasileiros Thiago Ávilla, Gabi Tolott, Luizianne Lins, a vereadora Mariana Conti (PSOL-Campinas), Bruno Sperb Rocha, Mariana Conti Takahashi, Lucas Farias Gusmão, Mohamad Sami El Kadri e Lisiane Proença Severo.
A ação de Israel é ilegal por ter sido realizada em águas internacionais. É equivalente a pirataria.
Várias missões de flotilha tentam romper o bloqueio naval de Israel há anos. Em 2010, militares israelenses interceptaram o navio Mavi Marmara e mataram 10 ativistas turcos.

Reação mundial

Em vários lugares do mundo as pessoas estão tomando as ruas em protesto contra a interceptação da missão humanitária por Israel.
A Itália parou em uma greve geral que atinge portos e aeroportos e paralisou setores-chave da economia. Com o apoio dos estivadores bloquearam o transporte de armas e nova paralisação está marcada para amanhã. Portugal também marcou uma greve geral para amanhã, 03/10. Berlim, Londres, Atenas, Bruxelas, Ancara, Buenos Aires, dentre outras cidades registraram atos exigindo a libertação dos ativistas da Flotilha Sumud e o fim do genocídio em Gaza.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro anunciou no X (antigo Twitter), que seu governo está expulsando diplomatas israelenses e cancelando o acordo de livre comércio com Israel.
Matéria em atualização.

 

 

 

 

 

 

 

 

Veja também

O futebol não perdoa a covardia. A política também não

O futebol não perdoa a covardia. A política também não

Lula não teria vencido em 2022 e o PT não existiria hoje se tivessem desistido …