10 latifúndios brasileiros possuem área maior do que 2.500.000 de pequenos camponeses

10 latifúndios brasileiros possuem área maior do que 2.500.000 de pequenos camponeses

A concentração fundiária no Brasil é extrema. Dados divulgados pelos próprios grupos latifundistas dão conta de que os dez maiores latifúndios juntos possuem 7,8 milhões de hectares, superiores aos 7,7 milhões de hectares controlados por 2,5 milhões de pequenos proprietários, que são 50% do total dos estabelecimentos agropecuários do país.

Se, de um lado, a concentração fundiária marca o atraso histórico do país, de outro lado, ela continua avançando de forma muito rápida. Dados históricos e atuais disponibilizados pelos grupos econômicos indicam o crescimento dos latifúndios por meio de aquisições e fusões.

Entre os dez maiores grupos, quatro possuem capital aberto em bolsa de valores e outros três são controlados por grupos financeiros. Assim, sete dos dez são grupos financeiros, dos quais três são estrangeiros.

O quadro abaixo apresenta a área controlada por alguns dos maiores grupos econômicos no agro brasileiro, o setor onde atuam, o tipo de capital e os principais acionistas.

Grupo Área (ha) Setor Capital Principais acionistas
1 Suzano   2.380.000 Florestal Aberto Suzano Holding, Suzano SA, família Feffer
2 Raízen   1.300.000 Cana-de-açúcar Aberto Cosan/Rubens Ometto, Shell
3 SLC Agrícola       734.000 Grãos Aberto Família Logemann
4 Klabin       688.000 Florestal Aberto Klabin Irmãos & Cia
5 Bom Futuro       600.000 Grãos Fechado Família Maggi/Scheffer
6 Atvos       483.000 Cana-de-açúcar Fechado Mubadala Investment Company (Emirados Árabes)
7 Bracell       460.000 Florestal Fechado RGE (Cingapura)
8 BP Bunge       450.000 Cana-de-açúcar Fechado BP e Bunge
9 Eldorado       393.857 Florestal Fechado J&F Holding (Família Batista)
10 Scheffer       380.000 Grãos Fechado Família Scheffer
Total dos 10 7.868.857
11 Amaggi       362.000 Grãos Fechado Família Maggi
12 São Martinho       350.000 Cana-de-açúcar Aberto Família Ometto
Total dos 12   8.580.857 
Quadro 1 – Maiores grupos econômicos no agro brasileiro Fonte: Site das Empresas (nov. 2024).

Como pode-se verificar, dez grupos possuem 7,8 milhões de hectares e doze grupos controlam 8,5 milhões de hectares. Esta área é superior à metade dos menores estabelecimentos agropecuários do país, 2,5 milhões de estabelecimentos, que juntos possuem 7,8 milhões de hectares. Somente a Suzano Florestal possui 2,38 milhões de hectares, de acordo com a própria empresa, área que equivale a quase 100 municípios médios no Sul do Brasil.

Estes grupos possuem áreas distribuídas principalmente no Sudeste, Sul e Centro-Oeste e seguem adquirindo terras. A Klabin, por exemplo, a quarta maior da lista, possui, somente no Paraná, 122 áreas, além daquelas distribuídas em outros estados. É uma empresa com capital aberto na bolsa, mas com controle da família Klabin.

Já a SLC Agrícola, monopolista de terras para a produção de commodities como soja, milho e algodão espalhadas entre as regiões Nordeste, Sudeste e Centro Oeste. A empresa possui grande concentração na região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), centro da violência contra os povos do campo com ao menos 454 conflitos por terra e água registrados em 2024, um aumento de 81,61% em relação a 2022, segundo o relatório de Conflitos Agrários de 2024, da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

O quadro permite identificar também o peso dos grupos familiares, mesmo nas empresas de capital aberto, como a SLC Agrícola e a Klabin. Também grupos familiares são proprietários ou sócios de mais de um dos grupos acima – a família Maggi, por exemplo, controla a Bom Futuro, a Scheffer, a Amaggi e tem ações na SLC Agrícola. A família Ometto é uma das controladoras da Raízen, por meio da Cosan e da Usina São Martinho.

Sete dos dez primeiros grupos unificam capital industrial e agrícola, já que por meio do capital industrial também controlam as terras para a produção de commodities como açúcar e álcool, celulose e grãos, nos quais a maioria é enviada para abastecer o mercado externo.

Os dados acima reafirmam a atualidade da questão agrária na realidade Brasileira e o peso do latifúndio na monopolização das terras e na limitação do desenvolvimento da pequena e mesmo média propriedade camponesa, responsáveis pela produção de 67% dos alimentos consumidos pelo povo brasileiro. As informações são de A Nova Democracia

Veja também

Ninguém quer ser visto com ele: Fifa e Espanha apagam Trump de fotos oficiais da conquista da Copa

Ninguém quer ser visto com ele: Fifa e Espanha apagam Trump de fotos oficiais da conquista da Copa

Trump participou da entrega da taça e permaneceu no palco durante o início da comemoração …