Claudio Castro corrompe os preceitos do Evangelho e transforma a morte de mais de 120 pessoas em um doloroso, eleitoreiro e cínico espetáculo de exploração da fé religiosa e de autopromoção. Propaga vídeos que o saúdam em visitas planejadas a igrejas e templos criteriosamente selecionados. Festeja a chacina e até expõe um menino de 13 anos, em profecias falaciosas, em que o compara a uma figura bíblica tão controversa quanto o Rei Salomão, que contrariou todos os preceitos do Deuteronômio 17.
Que tristeza, que dor profunda! Esta é uma dimensão radicalmente contrária ao Evangelho de Jesus.
Ele se aproveita do medo generalizado, do esgotamento diante da violência crescente, dos roubos de rua, dos assaltos, da insegurança, para insuflar as pessoas desesperadas e desalentadas e disseminar uma política de segurança baseada na vingança, no sangue.
Nenhum outro governador fez tantas incursões policiais nas favelas e periferias do estado, como Castro, nenhum promoveu tantas chacinas. Sob Castro, foram realizadas milhares de operações letais, somando quase 2 mil mortos, entre civis e policiais.
E a violência só aumentou. De janeiro a abril de 2025, o Rio registrou mais da metade das mortes de policiais, bombeiros e agentes penitenciários ocorridos no Brasil; o número dobrou, passando de 18 para 37. Em janeiro deste ano, os municípios da região metropolitana fluminense tiveram crescimento no número de tiroteios, mortos, feridos, vítimas de balas perdidas e baleados em roubos – 181 pessoas foram baleadas, dos quais 79 morreram; um crescimento de 79%, no número de baleados, e de 36%, nos óbitos, em relação a janeiro de 2024; oito policiais estavam entre os mortos, o maior número registrado para o mês de janeiro desde 2018. Na capital, o roubo e furto de celulares também dobrou e bateu recorde nacional – nos primeiros oito meses deste ano, foram registrados 36 mil casos, um a cada 10 minutos.
Tudo isso aconteceu apesar das chacinas e incursões de Claudio Castro.
Nós, do campo da esquerda, recebemos a pecha de defender bandidos, o que é mentiroso e ofensivo. A primeira proposta brasileira de uma política nacional cooperativa e integrada de segurança foi feita ainda no primeiro mandato do Presidente Lula, em 2007, com o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Lutamos e implantamos o Estatuto do Desarmamento, reduzindo o volume de armas nas ruas. Propusemos a PEC da Segurança Pública, rejeitada por Claudio e governadores da direita.
Sou um militante da segurança pública porque esse é um direito humano. Todo mundo tem o direito de não ser assaltado, assassinado, violentado, espancado, extorquido, todo mundo tem o direito à paz de uma vida plena e tranquila.
Quero uma segurança pública que respeite o morador da favela como respeita o morador de lugares abastados. Quero uma polícia ética, sem envolvimento com o crime, sem achaques e “arregos”, uma polícia treinada e preparada para combater o crime que aterroriza o país e, não, uma polícia que promova o terror. Quero uma polícia que garanta a segurança e a vida de todos, inclusive de seus agentes. Uma polícia que investigue, apure e prenda os criminosos que aterrorizam a população, que combata o financiamento do crime organizado, que investigue ligações com as esferas de poder. Chacinas interrompem possíveis investigações e são como espetáculos do Coliseu, onde cristãos eram lançados às feras.
O censo de 2022 mostrou que o estado do Rio abriga 1.724 favelas, com uma população de 2.142.466 pessoas; só na capital, há cerca de 1,3 milhão de pessoas morando em 813 favelas, que produzem, alimentam o estado, fomentam a economia e precisam ser respeitadas. E não é justo mesmo, não é justo mesmo, achar que essas pessoas mereçam coturno na porta e bala na cabeça.
São João Crisóstomo ensinava: “não pense que, ao ignorar um pobre, que ao ignorar alguém que está sofrendo, que ao matar alguém, você está louvando a Deus. Se não conseguirdes encontrar Cristo no mendigo na porta da igreja, não o encontrará no cálice”.
Como católico, repudio firmemente a Teologia do Absurdo de Claudio Castro. Deus é vida e justiça.
Por Reimont Otoni
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
