Derrota de Noboa: Equador rejeita propostas sobre bases militares estrangeiras e Constituinte

Derrota de Noboa: Equador rejeita propostas sobre bases militares estrangeiras e Constituinte

 

 

A consulta popular, realizada de maneira pacífica e com participação superior a 80%, segundo o CNE, mobilizou mais de 13,9 milhões de equatorianos. O pleito abordou temas sensíveis como instalação de bases militares estrangeirasfinanciamento público de partidosredução do número de deputados e a possibilidade de uma Assembleia Constituinte.

Rejeição à presença militar estrangeira domina o pleito

A derrota mais expressiva do governo ocorreu na pergunta sobre a eliminação da proibição constitucional de bases militares estrangeiras em território equatoriano. Mais de 60% dos eleitores votaram “não”. A decisão ocorre semanas depois de Noboa visitar, ao lado da secretária de Segurança Nacional dos EUA, Kristi Noem, áreas estratégicas para possíveis instalações militares, como Manta e Salinas.

Arauz denuncia tentativa de manipulação e celebra vitória popularO excandidato presidencial pela Revolução Cidadã, Andrés Arauz, celebrou o desempenho do “não” e afirmou que o voto contrário às propostas de Noboa “se impõe em todos os lugares”.
Nas redes, ele pediu vigilância aos funcionários públicos para impedir o que chamou de “operação Tello”, que descreveu como uma tentativa de “manipular os resultados eleitorais”.

Luisa González: “O povo diz não a um governo que quer transformar o Equador na corporação Noboa”A excandidata presidencial Luisa González destacou que o resultado expressa uma defesa clara da soberania nacional. Em suas palavras, a população disse “não a um governo que quer fazer do Equador a corporação Noboa”.

Ela afirmou ainda que a proposta de convocar uma Assembleia Constituinte buscava “apropriar-se dos recursos naturais estratégicos do Equador” e “precarizar o emprego”.
Para ela, o resultado das urnas representa “uma rejeição rotunda a Daniel Noboa”, demonstrando que a cidadania “não confia na gestão do mandatário de direita”.

Violência recorde e contexto de crise políticaO referendo ocorreu em um momento de escalada sem precedentes da violência no país. Mesmo após o governo decretar “conflito armado interno” e classificar organizações criminosas como terroristas, os homicídios continuam em alta. 2025 já é o ano mais violento da história do Equador, segundo dados oficiais.

O governo buscava, com a consulta popular, fortalecer sua legitimidade política e validar sua estratégia de alinhamento com Washington. O resultado, porém, aponta para desgaste e perda de apoio.

As quatro derrotas enfraquecem o discurso de Daniel Noboa e aprofundam sua crise de autoridade. O presidente pretendia usar o referendo como uma demonstração de força, mas o eleitorado rejeitou sua agenda nos temas mais sensíveis para a soberania e a institucionalidade do país. Com informações da Tele Sur

 

 

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