Todos os canais de TV com suas programações mostrando a porta da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, gritaria nas redes sociais, mundo político em polvorosa esperando novas informações. Desde as primeiras horas do último sábado (22), quando Jair Bolsonaro (PL) foi preso, essa tem sido a rotina diária no país. A julgar pela reação da matilha raivosa do líder condenado, assim como a de seus filhos, você deve pensar: o bolsonarismo está completamente indignado, triste e desesperado, procurando uma solução milagrosa para resolver a situação do “mito” e colocá-lo em liberdade. Só que não, ledo engano.
Na maior parte dos segmentos políticos bolsonaristas e no centrão, ainda que sabendo que a situação era previsível e iminente, a prisão do ex-presidente condenado foi muito festejada. Sim, comemoração esfuziante, abraços e brindes, mas tudo, claro, longe das câmeras e do mundo digital. E também não estamos falando de uma festa em si, com endereço e hora marcada. A Fórum apurou que essa posição de celebrar o trancamento de Bolsonaro numa cela especial da PF confirmou-se, já que não era novidade para ninguém que os quadro políticos de extrema direita e do tal “centro” fisiológico no Congresso não suportavam mais ter que ficar se compadecendo e beijando a mão de uma figura tosca, arrogante e insuportável que acabou por se colocar no tabuleiro eleitoral como “o dono” de quase metade dos votos do país.
Bolsonaro, não é de agora, apenas é “venerado” pela quase totalidade de deputados federais e senadores “do seu campo” simplesmente por medo. Casos como o de Alexandre Frota, Joice Hasselmann, entre outros, mostraram que é impossível questionar sua tirania de líder máximo sem ser defenestrado e expurgado da política.
Desde que esses exemplos se tornaram públicos, figuras até mesmo ultrarradicais do próprio PL, assim como do PP, Novo, União Brasil, PSD, MDB e Republicanos preferem se passar por súditos submissos e sofredores do ex-presidente do que encarar uma posição mais independente ou indiferente. Seus filhos cobram publicamente que todos se manifestem o tempo todo nas redes, ou ainda que façam discursos inflamados na Câmara e no Senado em defesa do pai, um sujeito de carreira tosca, insignificante desde sempre, bruto e ignorante que chegou à Presidência da República sabe-se lá como, encantando as numerosas frações imbecilizadas de um eleitorado que em parte topa qualquer coisa.
A prisão de Bolsonaro teria sido encarada como um alívio por deputados proeminentes da extrema direita, como Nikolas Ferreira (PL-MG), que notoriamente não suportavam mais a obrigação de bajular Bolsonaro. Os governadores de São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Cláudio Castro (PL), estariam com uma sensação de quem tirou um piano das costas após tomarem conhecimento de que o antigo ocupante do Palácio do Planalto fora finalmente encarcerado, pois eram os próximos a serem recebidos por ele nas modorrentas e nauseabundas visitas em sua mansão, autorizadas pela Justiça, nas quais os “convidados” tinham que ficar se humilhando diante do condenado com tornozeleira eletrônica. Ao sair do local, todos esses visitantes tinham que ficar fazendo postagens de lamento e dando declarações à imprensa fingindo um sofrimento interminável pela situação do “patrono”.
É preciso dizer que outros parlamentares, sobretudo os que orbitam o clã e agem como parasitas eleitorais, ou seja, figuras nulas de intelecção que precisam se escorar no “fenômeno” Bolsonaro, como por exemplo Gustavo Gayer (PL-GO), Bia Kicis (PL-DF), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Júlia Zanatta (PL-SC), seguem matando e morrendo pelo ex-presidente, pois mantém uma relação de dependência com sua figura doentia e ultrarreacionária.
Claro que as coisas não mudaram por completo, mas já é possível notar diferenças, e também esperar por outras que estão a caminho. Preso, ninguém tem que ficar o visitando e a situação de seus filhos se volta mais para o pai. O papelão de estourar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda também colaborou demais. Humilhado e único responsável por seu quadro atual, o vexame do golpista fez sua voz perder força no universo político e cada vez se torna mais plausível que as discussões sobre 2026 ocorrerão sem ele, ou ainda sem a sua supervisão direta.
Por Henrique Rodrigues
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