Investigação do jornal israelense Haaretz aponta que contratos com aliados de Trump e grupos evangélicos buscam reverter desgaste provocado pelo genocídio em Gaza
Segundo o jornal, o governo de Benjamin Netanyahu contratou empresas para conduzir campanhas públicas pró-Israel, como projetos em igrejas, redes de bots e serviços de Inteligência Artificial para melhorar a imagem do país junto a opinião pública estadunidense após a queda no apoio da direita por conta do genocídio em Gaza.
Documentos apresentados nos últimos dois meses mostram que o governo de Israel — por meio dos Ministérios das Relações Exteriores, Turismo e da Agência de Publicidade Governamental (LAPAM) — assinou diversos contratos nos Estados Unidos com o intuito de promover o país. Segundo o jornalista israelense Omer Benjakob, o ex-gerente de campanha de Donald Trump, empresas ligadas ao Partido Republicano e à comunidade evangélica são alguns dos especialistas recrutados.
Os documentos divulgados pelo Haaretz mostram que, desde 2018, a Havas Media Germany GmbH recebeu ao menos US$ 100 milhões (R$ 536 milhões) para promover campanhas de turismo israelense nos Estados Unidos. Atualmente, o maior contrato (US$ 6 milhões, com duração de quatro meses — R$ 32 milhões) foi assinado em agosto com a Clock Tower X, de Brad Parscale, empresa atuante nas campanhas digitais de Trump em 2016 e 2020. O acordo prevê “consultoria estratégica, planejamento e serviços de comunicação para desenvolver e executar uma ampla campanha nos EUA para combater o antissemitismo”.
Uma das principais estratégias utilizadas nas campanhas é tentar influenciar chatbots de inteligência artificial com respostas pró-Israel. Documentos obtidos pelo Haaretz mostram que a IA foi explicitamente definida como uma “ferramenta essencial” no arsenal tecnológico da Voices for Israel, uma organização sem fins lucrativos apoiada pelo governo (anteriormente conhecida como Concert). O objetivo da organização é realizar “operações de percepção” em massa online como parte da luta israelense contra “campanhas de deslegitimação” em todo o mundo.
Ainda no ambiente digital, o jornal de Tel Aviv revelou o “Projeto Esther”, com a Bridges Partners, uma empresa de consultoria sediada em Washington pertencente a Yair Levi e Uri Steinberg, ex-adido de turismo israelense na América do Norte. Com um contrato de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) — assinado por meio da Havas em nome do Ministério das Relações Exteriores e da LAPAM — a iniciativa financia influenciadores de mídia social que promovem Israel.
De acordo com documentos apresentados ao Departamento de Justiça dos EUA em setembro, o objetivo é “promover o intercâmbio cultural entre os países por meio de conteúdo produzido por influencers e atividades relacionadas”. Isso inclui o recrutamento e gerenciamento de 14 a 18 influenciadores, cada um publicando de 25 a 30 vezes por mês no Instagram, YouTube, TikTok e X.
Campanhas em igrejas evangélicas
Pesquisas do Pew Research Center mostram um declínio no apoio a Israel em meio ao genocídio em Gaza — mesmo entre os conservadores. Cerca de 42% dos norte-americanos tinham uma visão negativa de Tel Aviv em 2022; três anos depois, esse número saltou para 53%. Um relatório de 2024 do Centro de Estudos dos EUA da Universidade de Tel Aviv relata uma tendência semelhante entre os jovens evangélicos, que se mostram mais críticos em relação a Israel e já não o apoiam automaticamente, ao contrário de seus pais.
Documentos divulgados descrevem um foco em “igrejas no oeste dos Estados Unidos” com o objetivo de combater “o declínio do apoio a Israel entre os evangélicos” e disseminar que os palestinos têm laços com o Hamas e apoiam o terrorismo.
De acordo com os documentos, esses objetivos serão realizados por meio de argumentos baseados na Bíblia para fazer crer na importância de Israel e do povo judeu para os cristãos, enquanto se espalham mensagens de que “os palestinos escolheram o Hamas”.
Uma das propostas da campanha é o mapeamento dos perímetros físicos de todas as principais igrejas e faculdades cristãs da Califórnia, Arizona, Nevada e Colorado durante os horários de culto; identificar os frequentadores usando dados comerciais, rastreá-los e continuar a segmentá-los com anúncios relevantes. O público estimado para o projeto sugerido: oito milhões de frequentadores de igrejas e quatro milhões de estudantes cristãos.
Apesar da farta documentação apresentada, o governo de Israel nega tudo mas em setembro (menos de dois meses atrás), o 1º ministro de Israel, Benjamin Netanyahu se reuniu com influenciadores nos Estados Unidos. Fato que foi exposto pela imprensa estadunidense. Veja Aqui