Ligações perigosas: secretário do RJ que se reuniu com membro do CV é “porta-voz” de Flávio Bolsonaro

Ligações perigosas: secretário do RJ que se reuniu com membro do CV é “porta-voz” de Flávio Bolsonaro

Gutemberg Fonseca, chefe da Defesa do Consumidor do Rio, faz interlocução entre o filho do ex-presidente e o governador Cláudio Castro. Ele teve encontro com Índio do Lixão, diz a PF

Uma informação que não é nova e se originou na sequência das diversas operações deflagradas pela Polícia Federal no âmbito do inquérito que investiga a relação entre o crime organizado e autoridades públicas estaduais do Rio de Janeiro chamou a atenção nos últimos dias, ganhando nova relevância agora que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se consolidou como pré-candidato à Presidência da República em 2026, indicado pelo pai, o ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL).

Trata-se de uma situação que engloba Gutemberg de Paula Fonseca, secretário estadual de Defesa do Consumidor no governo de Cláudio Castro (PL). Ele é descrito por várias fontes, inclusive numa reportagem da revista Veja, como o homem de confiança de Flávio no Executivo fluminense, por desempenhar a função de porta-voz informal entre o senador e o Palácio Guanabara, algo que inclusive o ajudaria mantendo-o no cargo, apesar de polêmicas que já envolveram o seu nome.

No âmbito da Operação Zargun, realizada há pouco mais de um mês, a PF apontou que Gutemberg se reuniu com Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, e identificado como integrante do Comando Vermelho. O encontro, descoberto por meio de interceptações telefônicas, teria servido para que o criminoso apresentasse demandas da facção e solicitasse “cobertura política” para elas, que essencialmente versavam em interferir no policiamento ostensivo de uma área sob domínio do crime na capital. O próprio Gutemberg teria contado sobre a reunião a Alessandro Pitombeira Carracena, então seu subsecretário, que foi preso na mesma operação por facilitar ações do CV.

Carracena, em depoimento à PF, confirmou ter tomado conhecimento do encontro entre Gutemberg e Índio do Lixão diretamente via secretário. Em outro diálogo interceptado, o ex-subsecretário chegou a sugerir que parte da influência e do sucesso de Gutemberg numa ação de uma concessionária de serviço público se devia à atuação do traficante, que o teria ajudado de alguma maneira. “Muito é por causa de você”, respondeu a Índio do Lixão.

Gutemberg Fonseca, desde o episódio, nega ter se reunido com qualquer integrante do Comando Vermelho. A proximidade com Flávio Bolsonaro, no entanto, é assumida abertamente por ele próprio, que já se apresentou como “porta-voz” do senador em diferentes ocasiões. Com informações da Fórum

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