Negócio de US$ 250 milhões com a Vitol envolve executivo que doou cerca de US$ 6 milhões a comitês pró-Trump e participou de reunião na Casa Branca
Segundo reportagem do Financial Times, a transação inicial envolveu a Vitol, uma das maiores tradings de energia do mundo, em um acordo de aproximadamente US$ 250 milhões. O negócio marcou o início de uma estratégia considerada controversa por analistas e observadores internacionais, com a qual a Casa Branca pretende vender até 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela.
De acordo com o Financial Times, John Addison, trader sênior da Vitol, esteve envolvido nos esforços para garantir o acordo e, ao mesmo tempo, aparece como um dos principais financiadores políticos pró-Trump no setor de energia. Addison teria doado cerca de US$ 6 milhões para comitês de ação política que apoiaram a campanha de reeleição do presidente.
Entre as doações citadas na reportagem, há um repasse de US$ 5 milhões em outubro de 2024 para o Maga Inc, conforme registros reunidos pelo OpenSecrets, além de mais de US$ 1 milhão para outros dois comitês alinhados a Trump.
Reunião na Casa Branca e promessa de “melhor preço possível”
A reportagem relata ainda que Addison participou, ao lado de Ben Marshall, chefe da operação da Vitol nos Estados Unidos, de uma reunião de alto perfil na Casa Branca com líderes da indústria, na sexta-feira anterior ao anúncio do acordo. A Vitol teria sido a única empresa com dois executivos de alto escalão no encontro.
No evento, Addison teria dito diretamente ao presidente que a Vitol buscaria obter o melhor resultado possível para Washington:
“A Vitol vai conseguir o melhor preço possível para o petróleo venezuelano para os EUA, para que a influência que o senhor tem sobre os venezuelanos garanta que o senhor consiga o que quer.”
Plano prevê “controle indefinido” do setor de petróleo da Venezuela
A reportagem descreve que a Casa Branca declarou que pretende controlar a indústria de petróleo da Venezuela “indefinidamente”, após a captura do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro.
O governo dos EUA também teria estabelecido um embargo naval sobre o país caribenho e estaria incentivando empresas ocidentais a investir até US$ 100 bilhões para “reconstruir” infraestrutura e elevar a produção de petróleo venezuelana, numa estratégia que, na prática, reposiciona o país como uma peça central de interesses energéticos e geopolíticos de Washington.
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