Ultraliberal disse que enviará a Congresso mudanças nas áreas tributária, econômica, penal, eleitoral, educacional, judicial e de defesa
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou no domingo (1) que deseja “uma aliança estratégica duradoura”com os Estados Unidos, que funcione como “política de Estado”, em um discurso no Congresso que deu início à segunda metade de seu mandato e no qual prometeu 90 reformas para “redesenhar” o país.
Alinhado geopolíticamente com Estados Unidos e Israel, o governo Milei celebrou no sábado a operação dos dois países contra o Irã. Vale ressaltar que os EUA/Israel, bombardearam uma escola de ensino fundamental para meninas e mataram 180 meninas.
Como parte de sua aliança com o presidente Donald Trump, Milei destacou em seu discurso no Congresso que “o Atlântico Sul é o terreno de disputa estratégica das próximas décadas” e que a Argentina estará em sintonia com os Estados Unidos.
Defesa da abertura comercial
O discurso de quase duas horas marcou o início do novo ciclo legislativo após um 2025 turbulento, marcado por denúncias de corrupção contra funcionários e episódios de instabilidade cambial.
No entanto, sua vitória nas eleições legislativas de outubro lhe permitiu ampliar sua presença no Parlamento e avançar com seu programa de governo. Na sexta-feira, o Congresso aprovou a reforma trabalhista, apesar da rejeição dos sindicatos.
“Milei só pode ir para frente”, disse à AFP o cientista político Pablo Touzón. “Seu movimento político é bastante punk, de modo que a agenda de reformas para ele é necessária para sustentar seu modelo econômico”.
O presidente dedicou a primeira parte de seu discurso a criticar o “Estado falido” que disse ter recebido ao assumir o governo de um país “tomado por uma teia inescrutável de regulações”.
Ele defendeu a abertura comercial como um dos pilares de seu projeto. “Após décadas de proteção, obtivemos uma indústria pequena, cara, dependente de subsídios e com salários em dólares raquíticos”, disse, antes de atacar os empresários locais que o criticaram nas últimas semanas por abrir o país às importações, o que afeta a produção nacional.
O discurso foi interrompido em vários momentos por insultos de congressistas da oposição, aos quais respondeu com palavras como “ladrões” e “delinquentes” que “têm sua líder presa”, em referência à situação da ex-presidente Cristina Kirchner, em prisão domiciliar por acusações de corrupção.
O apoio eleitoral nas legislativas de outubro, nas quais o partido de Milei – A Liberdade Avança – obteve 40% dos votos, consolidou o poder do presidente, que chegou ao cargo com uma bancada minoritária.
Inflação
O ajuste para conter a inflação teve custos significativos: queda do consumo, abertura às importações e o fechamento de mais de 21.000 empresas em dois anos, com uma perda estimada de 300.000 empregos, segundo fontes sindicais.
A economia do país cresceu 4,4% em 2025, impulsionada pela agricultura e pela intermediação financeira, enquanto a indústria manufatureira e o comércio, dois dos setores que mais geram empregos, contraíram. As informações são da Agence France-Presse.
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