Jogo sujo de Pablo Marçal obteve o laudo falso do falso médico e Tarcísio de Freitas compartilhou nas redes
Luís Teixeira da Silva Júnior, investigado por assinar o laudo falso divulgado por Pablo Marçal contra Guilherme Boulos na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2024, admitiu em audiência judicial que não era médico. A informação foi revelada em reportagem do Fantástico neste domingo (5). Segundo o próprio relato, ele tentava obter um diploma sem cursar a graduação regular em medicina.
O nome de Teixeira reapareceu agora em outro caso de grande repercussão. Ele é apontado nas investigações sobre a tentativa de desviar até quase R$ 1 bilhão do espólio de João Carlos Di Gênio, fundador do Grupo Objetivo e da Unip.
Em juízo, Teixeira afirmou que era formado em biomedicina e buscava uma forma de “convalidar” o curso para virar médico. À época, o registro profissional havia sido negado, o que amplia o peso da suspeita envolvendo o documento fraudulento explorado por Marçal contra Boulos.
Mesmo nome em dois escândalos
O caso do laudo falso ganhou repercussão nacional durante a disputa eleitoral em São Paulo. Segundo a investigação, Teixeira é suspeito de ter forjado a assinatura de um médico em um documento divulgado por Marçal para tentar associar Boulos ao uso de drogas.
Na esfera cível, Marçal foi condenado a indenizar Boulos pela divulgação do documento. Já na investigação sobre a falsificação, Teixeira nega irregularidades na Justiça Eleitoral e tem audiência marcada para 14 de abril.
A conexão com o caso da herança de Di Gênio amplia a dimensão do episódio. Conforme a apuração já mostrada pela Revista Fórum, Teixeira aparece ligado à Colonizadora Planalto Paulista Ltda., empresa citada na ofensiva judicial que tentou cobrar uma dívida bilionária do espólio do empresário.
Fraude bilionária na herança de Di Gênio
A investigação aponta que a cobrança foi apresentada com base em uma suposta compra de 448 lotes em uma área rural de Piraju, no interior de São Paulo. O valor inicial era de R$ 635 milhões, mas a cifra depois saltou para quase R$ 1 bilhão com a apresentação de uma sentença arbitral usada para dar aparência de legalidade à operação.
A família de João Carlos Di Gênio contestou a cobrança e sustentou que desconhecia a dívida. Segundo a investigação, os documentos têm indícios de fraude, com uso de assinaturas recortadas, contratos fictícios e notificações falsas para tentar antecipar o pagamento antes da conclusão do inventário.
João Carlos Di Gênio morreu em fevereiro de 2022, aos 82 anos. A herança deixada por ele é estimada em cerca de R$ 16 bilhões e deve ser dividida entre a viúva e os três filhos. Três meses depois da morte, surgiu a cobrança que desencadeou a apuração criminal.
Em outra reportagem, a Fórum mostrou que o Ministério Público e a Polícia Civil atribuem aos investigados crimes como estelionato, falsidade ideológica, organização criminosa e tentativa de induzir a Justiça ao erro.
Relato em audiência reforça suspeitas
A fala de Luís Teixeira em audiência acrescenta um dado central ao caso do laudo falso. Ao admitir que buscava um caminho para obter diploma de medicina sem cursar a formação regular, ele reforça a relevância das suspeitas em torno do documento usado politicamente por Marçal contra Boulos.
Nos dois episódios, o mesmo personagem aparece em meio a suspeitas de fraude documental. De um lado, no laudo falso que foi parar no centro da campanha eleitoral paulistana. De outro, na cobrança que tentou arrancar centenas de milhões de reais do espólio do fundador da Unip.
Segundo a defesa, Teixeira sustenta que entrou na empresa imobiliária depois da assinatura do suposto contrato de compra dos terrenos e nega falsificação. Mesmo assim, ele segue citado nas investigações que conectam o caso eleitoral ao escândalo em torno da herança bilionária de Di Gênio.
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