Mergulhado no escândalo do Master, acusado de receber propina de Vorcaro, Ciro Nogueira ainda mantém relações suspeitas com Fernandin OIG, investigado pela CPI das Bets e ligado a jogo ilegal no Brasil
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido Progressistas (PP), está no epicentro de uma série de escândalos que envolvem suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Além de ser investigado por suas relações com Daniel Vorcaro, do Banco Master, de quem teria recebido propina e ganhado viagens, Nogueira também se vê no centro de um novo escândalo, envolvendo uma viagem de luxo a um paraíso fiscal.
O caso, que veio à tona nas últimas semanas, envolve o transporte irregular de malas em um voo privado para uma ilha conhecida por ser um ponto de lavagem de dinheiro. A denúncia de que as malas de Nogueira e outros passageiros, entre eles o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não passaram pelo raio X da fiscalização no aeroporto fizeram a Polícia Federal (PF) abrir uma investigação por possíveis crimes de contrabando, descaminho e prevaricação.
O caso é apenas mais um episódio que amplia o alcance das suspeitas que envolvem o senador. A revista Piauí, em reportagem de março, já havia revelado que Ciro Nogueira passou o carnaval em uma viagem luxuosa à Indonésia, com o empresário Fernando Oliveira Lima, mais conhecido como Fernandin OIG, apontado como o responsável por introduzir o Fortune Tiger, conhecido como Jogo do Tigrinho, que é ilegal, no país. O empresário foi um dos principais alvos da CPI das Bets, que investiga o setor de apostas ilegais, e também é proprietário de várias plataformas de apostas online.
Ciro Nogueira nas asas do Tigrinho ao paraíso fisca
Mais recentemente, revelou-se que, além de passar o carnaval na Indonésia com Fernandin OIG, o senador foi com o empresário do Tigrinho a um paraíso fiscal no Caribe. O senador embarcou em um jato particular de OIG com destino a São Martinho, uma ilha caribenha famosa por ser um paraíso fiscal e por abrigar atividades ilícitas de lavagem de dinheiro.
A viagem, que ocorreu em abril de 2024, levantou suspeitas imediatamente após o ocorrido no Aeroporto Catarina, em São Roque (SP): durante o desembarque da aeronave, as malas dos passageiros – que incluíam Ciro Nogueira e Hugo Motta – passaram sem ser inspecionadas pelo raio-X. O fato gerou uma investigação da Polícia Federal, que agora apura as responsabilidades de um servidor da Receita Federal envolvido no caso.
Ciro Nogueira e o escândalo Master
A viagem ao paraíso fiscal de São Martinho não é o único escândalo que envolve Ciro Nogueira e sua relação com o setor financeiro. O senador também está sendo investigado por suas ligações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que atualmente está preso e é investigado por fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, revelou que Vorcaro pagou ao menos três viagens de luxo a Nogueira, entre 2024 e 2025, incluindo destinos como Paris, Nova York e Courchevel, nos Alpes Franceses. Essas viagens, que ocorreram no mesmo período em que o senador estava ativamente envolvido na CPI das Bets, levantam sérias suspeitas sobre a relação entre o banco de Vorcaro e as emendas que Nogueira apresentou no Congresso.
Além disso, investigações indicam que, em troca desses favores, Nogueira teria recebido pagamentos mensais de até R$ 500 mil de Vorcaro, com a promessa de que o senador favoreceria os interesses do banco nas discussões legislativas. A proposta mais polêmica foi a “Emenda Master”, que visava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que beneficiaria diretamente os negócios do Banco Master. Com informações da Fórum
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