A Polícia Federal investiga a possível influência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em projetos discutidos no Congresso que poderiam afetar negócios ligados a ele. Segundo os investigadores, o fundador do Banco Master acompanhava propostas sobre mercado de carbono, transição energética e ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Segundo o Globo, o caso ganhou força após a operação que teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Ao autorizar buscas em endereços do parlamentar, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou uma emenda apresentada por Ciro para elevar a garantia do FGC a investidores.
A proposta, que não foi aprovada, elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura de investimentos garantidos pelo fundo. Segundo a PF, o conteúdo teria sido redigido pela assessoria do Banco Master e “reproduzida de forma integral” por Ciro Nogueira ao apresentar a emenda.
Mensagem obtida pelos investigadores aponta que Vorcaro comemorou a publicação da proposta. “Saiu exatamente como mandei”, escreveu o dono do Master, de acordo com a apuração. A garantia do FGC era uma das estratégias usadas pelo banco para atrair investimentos em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).
A PF também examina se o ex-banqueiro atuou para modificar projetos enquanto eles ainda tramitavam no Congresso. De acordo com os investigadores, em novembro de 2023, o ex-dono do Master teria ordenado a retirada, na casa de Ciro Nogueira, de envelopes com minutas de projetos de lei para revisão e posterior devolução a um servidor ligado ao senador.
Ciro Nogueira negou ter feito qualquer pedido relacionado aos textos, e a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não iria comentar. No caso do projeto sobre mercado de carbono, as suspeitas citadas recaem sobre uma emenda apresentada por Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara, em dezembro de 2023, antes de assumir o cargo.
Motta negou ter tratado do assunto com Ciro Nogueira e afirmou que a emenda foi “resultado de um acordo partidário”. “A emenda apresentada garante que parte do faturamento do setor de seguros seja voltada para a compra de crédito de carbono como forma de assegurar a aplicação de recursos na sustentabilidade ambiental, principalmente quando se trata de atividades poluidoras. Ao aprovar a emenda, o Legislativo considerou que ela cumpre os critérios constitucionais”, disse, em nota.
A emenda incorporada à lei obriga entidades de previdência privada, sociedades de capitalização e resseguradoras a investir parte das reservas em créditos de carbono ou fundos ligados a esses ativos. A PF relaciona o tema à Golden Green Participações, empresa criada para atuar no mercado de carbono e que, segundo a investigação, tinha conexões com a rede de fundos do Banco Master. A apuração também cita o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten), que criou o Fundo Verde, administrado pelo BNDES.
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