É extrema direita, estúpido: deputado que assediou ex-mulher para abortar quer acabar com liberdade nas universidades públicas

É extrema direita, estúpido: deputado que assediou ex-mulher para abortar quer acabar com liberdade nas universidades públicas

Guto Zacarias, ligado ao MBL, apresentou o projeto que tem semelhanças com mecanismos de repressão adotados durante a ditadura militar em meio à paralisação das universidades

O deputado estadual Guto Zacarias, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), protocolou nesta terça-feira (11), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), um projeto de lei que prevê punições severas a estudantes, professores e servidores envolvidos em greves e ocupações nas universidades públicas paulistas.A proposta, apresentada em meio à paralisação das universidades estaduais de São Paulo – USP, Universidade Estadual de Campinas e Universidade Estadual Paulista –, provocou críticas de estudantes, especialistas e opositores, que apontam semelhanças com mecanismos de repressão adotados durante a ditadura militar.Guto Zacarias é o mesmo deputado denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por tentar coagir uma ex-companheira de 22 anos a realizar um aborto no primeiro semestre de 2024 (leia mais abaixo).

A greve

As três universidades estaduais entraram em greve reivindicando melhorias em permanência estudantil, infraestrutura e alimentação. Entre as pautas apresentadas pelos estudantes estão o aumento da bolsa permanência para alunos de baixa renda, a implementação de cotas para pessoas trans e pessoas com deficiência, além da criação de um vestibular específico para estudantes indígenas.

O projeto

O projeto apresentado por Guto Zacarias estabelece mecanismos de responsabilização de reitores, professores e direções universitárias em casos de greves ou ocupações. Em apenas quatro artigos, a proposta prevê a identificação de estudantes envolvidos nos atos, o acionamento imediato da Polícia Militar, o corte de salários de servidores, a suspensão de bolsas estudantis e o compartilhamento de dados pessoais, imagens e informações com as polícias Civil e Militar.

O texto também prevê punições administrativas que podem impedir estudantes de ingressar em universidades públicas por até 15 anos. Já professores e servidores técnico-administrativos poderiam ficar impedidos de prestar concursos públicos por até dez anos.

Com redação ampla, a proposta determina que as universidades deverão “identificar os alunos que estão causando perturbação e iniciar imediatas providências disciplinares”, além de garantir “total e irrestrito apoio” às ações policiais dentro dos campi.

Na justificativa do projeto, Zacarias afirma que a medida busca “desestimular a cultura da paralisação forçada” e impedir “interrupções ideológicas” nas universidades públicas.

A proposta reacendeu críticas ao endurecimento contra movimentos estudantis e ao avanço de iniciativas ligadas ao Movimento Brasil Livre, grupo político do qual Zacarias fez parte antes de migrar para o partido Missão. O movimento ganhou projeção nacional nos últimos anos por campanhas ligadas ao “Escola Sem Partido”, que defendia restrições ao debate político em instituições de ensino.

Aborto

O parlamentar também esteve no centro de outra controvérsia recente. Em abril de 2026, vieram à tona denúncias e áudios atribuídos ao deputado nos quais ele teria coagido uma ex-companheira, de 22 anos, a realizar um aborto no primeiro semestre de 2024. O Ministério Público de São Paulo denunciou Zacarias em julho de 2025 por violência psicológica contra a mulher, com base na Lei Maria da Penha.

Segundo os relatos divulgados, os áudios mostrariam o deputado insistindo para que a então companheira realizasse o procedimento, indicando clínicas e afirmando que “não tem motivos para não fazer”. O caso levou o Partido Socialismo e Liberdade a acionar o Conselho de Ética da Alesp pedindo a cassação do parlamentar por quebra de decoro.

No último dia 13 de maio, porém, o Conselho de Ética arquivou o pedido, entendendo que a acusação não configurava quebra de decoro parlamentar. O processo tramita sob segredo de Justiça. Com informações da Fórum

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