Mais um em cana: Deputado bolsonarista é preso por fraudes em licitações, peculato e lavagem de dinheiro

Mais um em cana: Deputado bolsonarista é preso por fraudes em licitações, peculato e lavagem de dinheiro

O bolsonarista Thiago Rangel (Avante), deputado estadual do Rio de Janeiro, foi preso nesta terça-feira (5) na 4ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A nova etapa mira fraudes em procedimentos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras e reformas, no âmbito da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).por fraudes em compras e contratação de serviços na sceretaria de Educação do RJ.

As irregularidades já haviam sido apontadas em uma série de reportagens do RJ2. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) também investigavam processos de compras realizados pela Seeduc.

Ao todo, agentes foram às ruas para cumprir 7 mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão. As ações ocorrem nas cidades do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação que levou à 4ª fase começou após a análise de mídias apreendidas na primeira etapa da Operação Unha e Carne, que apurava vazamento de informações sigilosas por agentes públicos. Na ocasião, o então deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi preso. Segundo apuração do G1, conteúdos extraídos do celular de Bacellar levaram ao novo desdobramento da operação.

De acordo com a PF, as apurações revelaram direcionamento de contratações feitas por escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc. A região é apontada pelos investigadores como zona de influência política de Thiago Rangel. As compras e serviços teriam sido direcionados a empresas previamente selecionadas e ligadas ao suposto esquema.

Além de organização criminosa, os investigados poderão responder por peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado e a Seeduc foram procurados pelo g1 para se manifestar.

A Operação Unha e Carne teve três fases anteriores, entre dezembro de 2025 e março de 2026. Inicialmente, a investigação apurava um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV). Segundo a Polícia Federal, os vazamentos teriam comprometido operações e beneficiado investigados ligados à facção criminosa.

A primeira fase teve como alvo Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj e hoje cassado. A PF afirma que ele teria vazado informações da Operação Zargun, deflagrada contra o CV. O principal beneficiado seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção e preso na operação.

Na segunda fase, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2. A suspeita é que o vazamento tenha partido do Judiciário federal e que o magistrado tenha repassado informações a Bacellar, que as transmitiria a TH Joias.

A terceira fase ocorreu em 27 de março de 2026, quando Bacellar foi preso novamente, em Teresópolis, após a cassação de seu mandato pelo TSE no escândalo da Ceperj e denúncia da Procuradoria-Geral da República. Segundo a PGR, há indícios de uma cadeia de proteção institucional ao crime organizado no Rio.

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