Advogada já tinha conseguido três medidas protetivas contra ex-marido; MP pediu prisão preventiva horas antes do crime
A advogada criminalista Ana Paula Rocha de Jesus, de 45 anos, foi morta a tiros em Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais. O ex-marido, Lucas Gomes Pinto, é apontado como autor do crime e morreu em seguida. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio seguido de suicídio.
Ana Paula era advogada criminalista e atuava em Governador Valadares. Também participava de atividades relacionadas à defesa dos direitos das mulheres, incluindo palestras, debates e ações de conscientização sobre violência doméstica e feminicídio.
Cerca de um mês antes de morrer, participou de um podcast no qual falou sobre a importância das medidas protetivas para a segurança de vítimas de violência doméstica.
No boletim de ocorrência registrado no domingo (14), dois dias antes do crime, Ana Paula relatou à Polícia Militar que vinha sofrendo perseguições havia cerca de três anos. Ela informou que o ex-companheiro aparecia em locais públicos onde ela estava e apresentava comportamentos que ela registrava como ameaçadores.
Ana Paula obteve a primeira medida protetiva em 2024. Ao longo dos anos, foram concedidas três medidas protetivas contra Lucas Gomes Pinto. Duas delas foram posteriormente revogadas a pedido da própria advogada.
Segundo o Ministério Público, uma das revogações ocorreu durante o período em que uma das filhas do casal, que enfrentava câncer em estágio terminal, realizava tratamento médico.
O Ministério Público informou que apresentou um primeiro pedido de prisão preventiva em novembro de 2025, que não foi deferido. Após novos relatos de descumprimento de medida protetiva, um novo pedido de prisão preventiva foi protocolado na tarde de terça-feira (16), poucas horas antes do crime.
No domingo (14), Ana Paula acionou a Polícia Militar após relatar que o ex-companheiro esteve em um bar onde ela estava e teria feito ofensas e ameaças, o que foi registrado como possível descumprimento de medida protetiva.
Na segunda-feira (15), ela procurou novamente o Ministério Público para relatar novos episódios envolvendo o ex-companheiro.
Segundo a Polícia Civil, antes do crime Lucas Gomes Pinto gravou um vídeo no qual faz declarações sobre o relacionamento com a vítima e sobre sua própria conduta. No registro, ele afirma ter instalado um rastreador com escuta no veículo da ex-companheira e apresenta alegações sobre a rotina dela. O vídeo foi direcionado a familiares da vítima.
Segundo o Ministério Público, foram adotadas medidas como pedidos de prisão preventiva, solicitação de monitoramento eletrônico e encaminhamento do investigado a grupos reflexivos para autores de violência doméstica. Também foi citado o uso de dispositivos de proteção previstos em lei, como botão do pânico.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do caso. Mesmo com a morte do suspeito, a investigação continua. Segundo o delegado responsável pelo caso, serão reunidos laudos periciais e outros elementos para esclarecimento dos fatos. Com informações da Fórum
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