Milei sonha ser líder da extrema-direita. Suas agressividades e impopularidade o impedem

Milei sonha ser líder da extrema-direita. Suas agressividades e impopularidade o impedem

Com seu discurso, neste sábado, em São Paulo, ele obedece seu estilo. A diferença é que falou no Brasil, contra Lula, Moraes e o sistema brasileiro Sua fala foi definida como “patética”

A participação do presidente argentino no lançamento da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro marca o início do seu giro por países da América do Sul, na tentativa de liderar a extrema-direita na região e em sintonia com o governo Trump, dos Estados Unidos. A série de declarações agressivas contra o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes obedecem o estilo das falas de Milei no campo doméstico, na Argentina, quando se refere a opositores, a economistas e a jornalistas. Sua popularidade anda em baixa no país por questões econômicas, sociais e políticas.

“Patético”, disse uma fonte

A diferença deste sábado é que ele intensifica o distanciamento do governo Lula. Os dois não se falam e se encontraram duas ou três vezes, rapidamente, em reuniões multilaterais. Milei já tinha participado de um evento da extrema-direita junto com os Bolsonaro, em Santa Catarina, no sul do Brasil. Agora, porém, dirigiu sua metralhadora dialética contra Lula. Interlocutores da Casa Rosada contaram que Milei não gostou de o presidente Lula ter visitado a ex-presidenta Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar, quando esteve em Buenos Aires há um ano. Desde então, Milei passou a intensificar ainda mais sua ligação com os Bolsonaro, mas suas declarações deste sábado surpreenderam e levaram o “distanciamento para outro nível”, comentou um diplomata. “O discurso de Milei foi patético”, disse outro.

Keiko

O plano de Milei é viajar para a posse de Keiko Fujimori, nesta terça-feira, aqui em Lima, no Peru. Mas fontes do governo peruano disseram ao Brasil 247 que o objetivo dela, em política externa, é manter uma boa relação com o Brasil e com outros líderes, independente da questão ideológica. “Keiko é pragmática, não vai se limitar a dialogar com a ala conservadora da região e ela sabe muito bem a importância do Brasil para nosso país e que Lula é pragmático como ela”, disseram. Depois da posse de Keiko, da Força Popular, Milei participará da posse de Abelardo de la Espriella (‘o tigre’, como gosta de ser chamado) na Colômbia, no dia sete de agosto, e viajará ainda para o Equador para reunião com Daniel Noboa. O desejo de Milei é liderar uma frente de extrema-direita. Mas Kast, do Chile, com quem dialoga, já mostrou que o pragmatismo também é seu tom na relação com o Brasil – o maior país da América Latina em termos econômicos, populacionais e geográficos. A frente de Milei não é fácil de ser construída, concordam diplomatas de países da região, e principalmente depois do evento deste sábado em São Paulo.

Por Marcia Carmo

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