Quem for podre que se quebre: STF autoriza PF a monitorar Jaques Wagner e registra 74 ligações com sócio do Master

Quem for podre que se quebre: STF autoriza PF a monitorar Jaques Wagner e registra 74 ligações com sócio do Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a monitorar por dez dias a localização aproximada dos celulares do senador Jaques Wagner (PT-BA) e de outros investigados no inquérito sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas ao Banco Master. A decisão integra a Operação Compliance Zero e teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (31).

A medida permite à PF acessar dados de estações rádio-base, histórico de chamadas, identificação de aparelhos e registros de conexão. Esses metadados podem ajudar os investigadores a reconstruir deslocamentos, verificar encontros e mapear contatos, mas a autorização não alcança o conteúdo de conversas ou mensagens.

Mendonça acolheu parcialmente o pedido policial e autorizou o acompanhamento em tempo real de seis alvos, entre eles Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master apontado como um dos operadores ligados à instituição.

O ministro recusou a mesma medida para outros quatro investigados por entender que eles não ocupavam, neste momento, posição de protagonismo que justificasse maior restrição ao sigilo de dados.

A Polícia Federal identificou 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima de novembro de 2023 a maio de 2025. As chamadas somaram mais de cinco horas e meia em 555 dias, dado que os investigadores consideram indício de uma relação frequente entre os dois.

Decisão cita risco de vazamento e uso de mensagens temporárias

Na decisão, assinada em 17 de junho, Mendonça afirmou que a PF apresentou indícios de que os investigados recorreriam a chamadas de voz, encontros presenciais, mensagens temporárias e linguagem cifrada para reduzir a produção de provas documentais. Para o ministro, o monitoramento de localização pode orientar diligências futuras, como apreensão de celulares, preservação de dados digitais e busca por documentos.

O relator também registrou preocupação com um possível vazamento da operação. Mendonça citou o pedido de audiência feito por um dos investigados em seu gabinete no mesmo dia em que a PF apresentou ao STF representações para essa fase da apuração, em 9 de junho de 2026.

“Quanto ao ponto, impende realçar a ocorrência de fato que agudiza os riscos de vazamento indevido da operação no presente caso”, afirmou Mendonça. Ele acrescentou que a solicitação de audiência chegou ao gabinete antes mesmo da distribuição de algumas das representações apresentadas pela Polícia Federal.

O ministro ressaltou que a autorização não representa juízo de culpa nem define a participação dos investigados nos fatos. “A medida se justifica, neste momento, pela necessidade de coleta de dados periféricos de localização e conexão, a fim de confirmar ou afastar vínculos com os fatos em apuração”, disse.

A investigação examina a compra de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões, possíveis repasses a empresa ligada à família do senador e eventual atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master; Wagner nega ter favorecido a instituição. Com informações do DCM

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