A devastadora paixão da Globo pelo blogueiro maranhense

A devastadora paixão da Globo pelo blogueiro maranhense

O jornalismo das corporações sempre tratou com desdém para os colegas dos chamados Estados periféricos, considerando que o umbigo do mundo, e não só do Brasil, está em São Paulo e no Rio. As corporações de mídia nunca reconheceram o que se faz em outras regiões.

Essa arrogância, que se manifesta em várias áreas, é o que explica o fato de que, historicamente, qualquer conteúdo produzido fora do eixo não merece registro de crédito. Jornalões compartilham informações de jornais e sites dessas periferias sem reconhecer autorias.

Globo, Folha e Estadão chupam informações e ignoram seus autores, como se notícias, e muitas vezes furos importantes, fossem produzidas por uma chocadeira. Não têm autor nem pai. Por isso é estranho que principalmente a Globo, em TV e jornal, tenha adotado um blogueiro do Maranhão como exemplo de jornalista independente, por causa das ‘informações’ que produz. Por acaso, contra Flávio Dino.

O sujeito divulga ‘notícias’ obtidas por arapongas que seguem a vida do ministro, como parte de uma estrutura dedicada a depreciar e chantagear Dino, e a arapongagem vira notícia nacional.

Por isso a Globo dedica ao blogueiro Luís Pablo Conceição Almeida adjetivos que nunca utilizou para defender jornalistas perseguidos pelo poder econômico e político. Por quê? Porque o blogueiro atende às demandas da Globo, ao participar do cerco a Flávio Dino, o ministro que relata no STF investigações sobre uma quadrilha maranhense.

O blogueiro, que recebe informações vazadas de um ex-policial federal em conluio com o grupo que tenta depreciar Dino, foi eleito o paladino das liberdades pela Globo. O argumento é torto. Como o blogueiro produz conteúdo ‘jornalístico’, deveria estar livre de investigação por participação na estrutura criminosa que decidiu chantagear Flávio Dino.

O policial federal decide monitorar Flávio Dino e repassar as informações ao blogueiro (com o pretexto de que investiga o uso irregular de carro oficial), o jornalismo se impõe e todo o resto passa a ser intocável.

E o resto é o que envolve um assassinato, desvio de emendas parlamentares e pagamento de propinas, com extorsão e ameaças. Esse resto que sobra é um vasto esquema criminoso que levou o informante do blogueiro à prisão domiciliar por tentativa de acobertamento de provas.

Um estudante de jornalismo poderia fazer o seguinte resumo. Um sujeito usado por um esquema criminoso se vale da condição de produtor de conteúdo para disseminar informação contra o ministro e assim ser protegido, tendo também sua fonte protegida, porque ambos são pessoas preocupadas em informar a sociedade.

O objetivo é outro. É tentar assustar Flávio Dino. Porque ninguém acredita que exista um acaso entre as ‘informações’ divulgadas e o fato de que todos os envolvidos têm conexão com os crimes listados acima, com desdobramentos sob relatoria de Dino.

Uma pessoa foi assassinada, o empresário João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira. O informante do blogueiro tentou embaralhar a investigação. O caso foi parar na mesa do ministro. Esse é o problema.

O blogueiro tenta proteger o informante. A Globo tenta proteger o blogueiro e sua fonte. E tudo passa a ser apresentado como jornalismo, quando é bandidagem. O vigarista deixaria de ser vigarista porque virou jornalista e assim passa a ser blindado?

O blogueiro maranhense vai ganhar estátua da Globo, sem entender direito o que a Globo quer mesmo ao defendê-lo com tanto ardor. O que quer a Globo? O que está atormentando a Globo? Um bom jornalista investigativo poderia descobrir.

Por Moisés Mendes

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