Coluna- Na implosão do MDB só se salvam os Sales

Coluna- Na implosão do MDB só se salvam os Sales

Força do Juruá
O MDB que já foi o partido mais poderoso do Acre, dominando o governo do estado e todas as prefeituras, está restrito à força dos Sales. O nome de maior potencial eleitoral do partido é Jéssica Sales. Com a saída de Roberto Duarte e Mazinho Serafim, este para o PSD do senador Sérgio Petecão, em âmbito estadual fica restrito à deputada Antônia Sales. Não por acaso, seus nomes de maior expressão são respectivamente a filha e a esposa de Vagner Sales.  Ou foca na Jéssica para o Congresso ou se lasca, foi a frase ouvida de um militante histórico do partido. O MDB continua até o presente integrando o governo do estado, apesar do partido ter sido triturado na última eleição por Gladson Cameli em todos os municípios. A coroa de louros caiu e o MDB nem percebeu que a  luta agora é pela própria sobrevivência.
Insistência
O senador Márcio Bittar insiste na escolha da ex-esposa, Márcia Bittar na chapa de Gladson Cameli, enquanto busca alternativas junto ao grupo dos irmãos Rocha. Apresenta-a como “a candidata de Bolsonaro”. A versão de Bittar não encontra eco na realidade.  Nem Gladson nem Bolsonaro podem fazer uma opção sob pena de perderem apoios. Gladson Cameli (PP), mesmo que queira, não tem como assumir a candidatura de Márcia em sua chapa, quando tem a presidenta do partido dele, Mailza Gomes disputando a mesma cadeira, além de Jéssica Sales com toda sua força e densidade eleitoral. Situação parecida vive o presidente Jair Bolsonaro recém filiado ao PL, partido que ficará sob o comando da deputada Mara Rocha a quem a executiva nacional ungiu como estrela do Liberal no Acre para disputar um cargo majoritário. Márcio parece fadado a nadar contra a corrente tendo como botes salva vidas 10 pequenos partidos, alguns deles com a sinalização de serem obrigados a desistir no meio da viagem, como o União Brasil e o Solidariedade. O primeiro pode ter candidato próprio à presidência da República e o segundo sinaliza para um apoio à Lula (PT), o que levaria o Secretário Adjunto de Educação, Moisés Diniz a um retorno às origens. Não é de estranhar que Bittar esteja tão ansioso.
Bolsonaro no PL
Por se apresentar tão próximo de Jair Bolsonaro, ficou estranho o não comparecimento do senador Márcio Bittar à filiação do presidente ao PL. Se estivesse presente teria ouvido Bolsonaro dizer que
 no PL, quer ajudar a compor bancadas para as eleições 2022 a fim de “fazer melhor para o Brasil”, mas também que o evento não servia para “lançar ninguém a cargo nenhum”. O discurso está disponível no YouTube.
Emissários
O senador Márcio Bittar tem enviado emissários para sondar o clima na ala dos Rocha com os quais prevê uma certa dificuldade em fazer acordo, talvez assolado por antigas lembranças, como quando insistiu, na qualidade de presidente do PSDB, para que o Major Rocha trocasse uma reeleição garantida a deputado estadual por uma aventura para federal. Segundo história que roda pelos bastidores políticos do estado, Bittar teria afirmado que injetaria R$ 500 mil da nacional na campanha de Rocha, mais outros R$ 200 mil de dinheiro próprio. O Major se lançou e foi deixado até sem ordem de gasolina. Ganhou a eleição com “sola de sapato e gogó”. Quando o passado bate à porta, o presente balança. Seja como for, parece que o senador não está muito confiante no governador e o plano B está mesmo esboçado. A conferir.
Baque
Por outro lado, se Márcio Bittar realmente abandonar Gladson Cameli, o governador correrá o sério risco de ver a canoa afundar antes mesmo da partida para Manacapuru. Nesses 3 anos de governo fez como o anti herói da música Partido Alto, de Chico Buarque: “deu pernada a três por quatro e nem se despenteou”. As pernadas atingiram os que formaram com ele para a eleição de 2018. Carimbado de “não confiável” pelos antigos aliados, não tem mais base. Conta atualmente com seu partido, o PP e com os 10 do Márcio. E, à Bittar o que é de Márcio. Os 10 partidos que orbitam em torno dele, servem aos interesses de Márcio. Ponto.
PT na roda
O senador Rogério Carvalho (PT), votou a favor do orçamento secreto. Foi o único congressista de oposição que votou com o governo. O projeto foi aprovado por 34 X 32. A presidenta do PT, Gleisi Hoffmann criticou: “O voto isolado do senador é um fato grave, que não se justifica diante das manifestas posições do partido sobre questão fundamental para o país”. Nas redes sociais a cobrança da miltância foi além: “Rogério Carvalho votou contra a orientação do Partido dos Trabalhadores. Oficialmente aguarda-se uma explicação, mas espero que deixe o PT ou seja expulso. A Militância Petista não aceita traidores e não perdoaremos quem votou contra o povo”, disse um. Outro desabafou: “Por que o Senador Rogério Carvalho do PT do Sergipe votou a favor do Orçamento Secreto, instrumento que foi o principal responsável por blindar o Bolsonaro do impeachment? Voto dele foi decisivo. Oposição só de gogó? Na hora do vamos ver, vota com o governo? Que absurdo.
Sem surpresa
Para quem acompanha a política, o voto do senador Rogério Carvalho não foi uma surpresa. Ele é o autor do projeto que institui a chamada “bolsa banqueiro”, que legaliza a remuneração sem limite da sobra de caixa dos bancos pelo Banco Central. Essa operação é a principal responsável pelas elevadas taxas de juros praticadas no Brasil. Trava a circulação de moeda e impede a
geração de emprego e renda. Trava a economia porque ganhando com o dinheiro parado, os bancos não precisam emprestar para ganhar. Basta manter o dinheiro estocado, como um Tio Patinhas e com isso vão ficando cada vez mais ricos. Estamos falando em algo em torno de quase 25% do PIB brasileiro. Coisas da alcunhada “Esquerda Liberal”.

Tem mais

Todo mundo reclama com razão dos altos preços da energia elétrica, mas já olharam a conta de água e esgoto? Em locais onde a água chega dia sim, dia não,  e quando chega não tem força suficiente para abastecer as caixas d’água que distribuem para os canos das casas, a taxa mensal supera os R$ 100. Metade desse valor é a taxa de esgoto. Deve ser uma cobrança pela utilização dos canos que transportam os dejetos porque até onde se sabe não existe tratamento para todo o esgoto da cidade. Se esta já é uma má notícia a pior ainda está por vir: a possível privatização do serviço que terá como consequência o aumento da tarifa O tema será debatido na Assembleia Legislativa, neste 01 de dezembro, com lideranças do Sindicato dos Urbanitários, deputados, MPE, PGE, Depasa e Saerb.

Muito mais

As mudanças no sistema devem ocasionar a demissão de mais de uma centena de trabalhadores já a partir do primeiro dia de 2022, data em que o saneamento deixa de ser responsabilidade do estado para ser do município. Impressiona como candidatos ao governo e prefeitura se elegem com os votos dos pobres para governar em favor dos interesses dos empresários e o povo continua votando na esperança que um dia a situação mude. Esperança não move montanhas. Reflexão e ação, sim. Principalmente no ato de delegar a outros o direito de agir. Flaviano Melo (MDB), por exemplo, declarou ao jornalista Luciano Tavares no “Papo Informal”, que é a favor das privatizações. Flaviano está na vida política desde 1983.  Quase 40 anos que é sustentado com dinheiro público. Recebe pela Câmara dos Deputados e pelo estado do Acre, por ter sido governador do estado. Tem como pagar as contas que seus eleitores que o sustentam não conseguem pagar.

Peixe no balde

O governo do estado está comprando 400 kg de filé de peixe para o Hosmac. Pelo volume da compra não seria de estranhar que a compra fosse para o “Hosmac Healthcare”, em  Dubai em vez do Hospital de Saúde Mental do Acre que mantém um número baixo de internados. O Hosmac de Rio Branco é considerado uma unidade de saúde pequena. 400 kg de fiké de peixe em um mês pressupõe um consumo de mais de 13kg de filé de peixe por dia. O produto está sendo adquirido do frigorífico da família da deputada Vanda Milani (PROS).

Ventos de mudança

A vitória de Rodrigo Aiache na OAB e a de Danilo Lovisaro no MPE, tornam o ar que respiramos, mais leve, como se a brisa trouxesse umas partículas de esperança,  tão necessárias nesses tempos áridos.

 

Bom dia, jornalista João Roberto Braña autor da melhor definição sobre a confusão do abono salarial para os trabalhadores da Educação: “o que era para ser um gol de placa se transformou num gol contra”.

Foto- Blog do Laceandro Souza

Esta é uma coluna de opinião

Contato- [email protected]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Veja também

Foragido toma arma de policial e tenta matá-lo durante escolta no Pronto-Socorro

Foragido toma arma de policial e tenta matá-lo durante escolta no Pronto-Socorro

Recapturado horas antes, detento efetuou um disparo que atingiu uma ambulância no estacionamento da unidade; …