Empresa do irmão de Gladson recebia verba de empreiteiras que tinham o governo do Acre como principal cliente, aponta relatório da PF

Empresa do irmão de Gladson recebia verba de empreiteiras que tinham o governo do Acre como principal cliente, aponta relatório da PF

Os dados que foram repassados pelos relatórios do COAF apontam para a existência de um esquema de utilização de “contas fantasma” por empreiteiras que mantém contratos com o governo do Acre.  Segundo o inquérito da Polícia Federal, pelo menos R$ 16 milhões que entraram por essas “contas de passagem” acabaram na conta da empresa do irmão do governador Gladson Cameli (PP).

Dentre outras, as investigações apontam por exemplo,  que saíram R$ 120 mil da conta da T. Ferreira Souza ME, cujo nome fantasia é Estrela Publicidade,  para uma  conta  da empresa Silveira Araújo Construções Eireli,  identificada em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como repassadora de recursos para a conta da Construtora Rio Negro Ltda, de propriedade de Gledson Cameli, irmão do governador Gladson Cameli. A Construtora Rio Negro,  conforme relatórios do Coaf, foi usada pelo governador do Acre para tentar comprar um apartamento de luxo avaliado em R$ 5 milhões na capital paulista.

Ao investigar as contas da Construtora Rio Negro, a PF apurou que a empresa do irmão do governador Gladson Cameli era beneficária de créditos enviados pela Silveira Araújo, que por conseguinte, recebia verba de empreiteiras que tinham o governo do Acre como principal cliente.

Outra empresa que aparece como suspeita em repasses é a Murano que entre janeiro e março de 2020 transferiu  R$ 178 mil para a empresa de Rudilei Estrela, considerado o operador do esquema.  Em 13 de março de 2020, a Murano enviou R$ 70 mil. “Não se vislumbra, a priori, qual relação empresarial justificaria tais transações entre uma construtora com sede em Brasília e uma gráfica com sede em Cruzeiro do Sul”, diz trecho do inquérito.

A Murano Construções chegou ao Acre no primeiro ano do mandato do governador Gladson Cameli e teria assinado com o governo do Acre, contratos no valor de R$ 27,3 milhões. A empresa Murano aparece como a principal depositária na conta de passagem com um total de R$ 559 mil.

Para a PF, essa intensa e constante movimentação financeira de recursos de empreiteiras detentoras de contratos com o governo – por meio de transferências para contas de passagem de empresas fantasmas – “indicam a existência de um “esquema” de repasses das referidas empresas a representantes do Governo do Estado por meio da utilização da conta bancária de uma empresa laranja”.

“Uma vez que a hipótese de esquema criminoso aponta para o pagamento de vantagens indevidas a agentes do Governo Estadual, se busca investigar se os pagamentos teriam como contrapartida o direcionamento de contratações”, afirma parte do relatório.

Figuram ainda como suspeitas as empresas  Silveira Araújo Construções Eireli e a Adinn que é a “empreiteira mãe” da Silveira Araújo. Leia a matéria completa no Blog do Fábio Pontes

Contas fantasma ou contas de passagem são utilizadas geralmente para a lavagem de dinheiro que consiste em um conjunto de operações comerciais ou financeiras que têm como objetivo a incorporação, na economia, de bens, direitos ou valores originados direta ou indiretamente de qualquer infração penal. É por meio da “lavagem” que o “dinheiro sujo” (dinheiro com origem em atividades ilícitas) é transformado em “dinheiro limpo” (dinheiro com aparência lícita).

 

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