Raphael Bastos critica nota dos advogados de defesa de Gladson: "genérica sem elementos que contrapõem o inquérito policial"

Raphael Bastos critica nota dos advogados de defesa de Gladson: “genérica sem elementos que contrapõem o inquérito policial”

O ex-Secretário de Planejamento Raphael Bastos expôs o pensamento de muitos: a nota dos advogados do governador Gladson Cameli (PP), não esclarece nem defende. Limita-se a criticar o relatório da Policial como “um emaranhado de assuntos desconexos”.
“Já diz a máxima que “texto sem contexto vira só pretexto”. E é assim que muitos estão agindo ao publicar uma nota padrão, genérica e sem elementos que contrapõem, de fato, o que é relatado no inquérito policial”, contrapõe Raphael Bastos.
A banca advocatícia teria sido contratada por R$ 8 milhões para fazer a defesa do governador.
Para Raphael Bastos, entre os pontos que deveriam ter sido explicados e não foram, estão os vários depósitos feitos em espécie, que totalizam a quantia de aproximadamente 1 milhão de reais, feitos de várias cidades diferentes na conta pessoal do Governador; faturas de cartão de crédito altíssimas pagas em espécie e diversas movimentações, que visam não deixar rastros e a alta soma em espécie deixada na concessionária de carro por um empresário sob pretexto que seria para pagamento de um veículo de luxo comprado pelo Governador para uso da Primeira Dama.
“Ao constatar que o pagamento era para um veículo que já se encontrava quitado, o Gerente da empresa liga ao Governador informado que o valor deixado por terceiros estava disponível para devolução.
Em seguida, vai uma pessoa da segurança do Governador em busca do valor em espécie. Digam-me: isso é uma transação comum? Por que um empresário iria pagar um alto valor para abatimento da dívida de um Governador?
Por que o valor não foi devolvido ao próprio empresário que deixou dinheiro lá? Como não acreditar no envolvimento do Governador, se ele próprio manda o chefe da sua segurança buscar o dinheiro que, aparentemente, não lhe pertence? Em seguida, vai uma pessoa da segurança do Governador em busca do valor em espécie. Digam-me: isso é uma transação comum? Por que um empresário iria pagar um alto valor para abatimento da dívida de um Governador? Por que o valor não foi devolvido ao próprio empresário que deixou dinheiro lá?“, questiona Bastos.
Raphael Bastos destaca ainda que se a origem dos recursos são frutos das empresas familiares, os depósitos poderiam ser realizados por meio de transferência da empresa para o sócio minoritário, o que legalmente caracteriza  distribuição de lucros para sócios e é uma operação isenta de impostos. Mas muitas foram feitas em dinheiro em espécie através de terceiros.
Além disso, ressalta ele: Bastava  para justificar o crescimento exponencial do patrimônio do Governador em 2 anos de mandato, constar em seu imposto de renda suas retiradas como sócio das empresas, ou até mesmo doação de valores por seus familiares e nenhuma dessas dúvidas levantadas pela operação encontrariam abrigo. Porém, só com os vencimentos de Governador, que alcanca cerca 470mil/ano, não fecha a conta e por isso existiu a operação policial”.
“Quando forem fazer nota para defesa do Governador, seus advogados e assessores deveriam criar um texto com algo que de fato nos faça ter esperanças que não estamos vivenciado o maior escândalo de todos os tempos em nosso Acre”.

 NOTA DA DEFESA DO GOVERNADOR GLADSON CAMELI

A investigação é um emaranhado de assuntos desconexos. De um lado, tentam, em vão, criar um vínculo espúrio entre o governador e contratações lícitas realizadas pelo Estado.

De outro lado, esmeram-se em levantar suspeitas sobre as finanças do governador. Apenas suspeitas são lançadas, nenhuma imputação de crime é realizada.

São apenas ilações desconexas que, com o devido respeito, não poderiam justificar a realização de medidas invasivas como a busca e apreensão e o bloqueio de bens.

Todas as suas movimentações financeiras são lícitas e o seu patrimônio tem origem conhecida, seja no âmbito privado, seja na renda auferida em razão das funções públicas ocupadas. Em razão disso, a defesa do governador Gladson Cameli irá apresentar o recurso cabível e confia que a decisão será objeto de revisão.

Apesar de discordar veementemente do que consta na investigação, a defesa vem expressar que confia plenamente no Poder Judiciário e nas instituições republicanas.

Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso

Foto Rondonoticias

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