1-Registro
Apoiadores do candidato a prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (MDB), contestam nota da coluna sobre cargos. “Marcus Alexandre jamais recebeu mesada do deputado Tanízio Sá (MDB). O que acontece é que Marcus Alexandre está cedido ao gabinete do deputado em um ato institucional legal e moral de cessão, que ocorre com tantos outros servidores. Seu sobrinho nunca assumiu cargo no governo e seu irmão foi desligado do gabinete do Deputado Eduardo Ribeiro em Agosto, fato normal para quem presta serviços de assessoria”. Feito o registro. Ponto.
2- Bizarro
Senadores assinarem um manifesto contra um ato em defesa da democracia é no mínimo contraditório. Afinal se não fosse graças à democracia não seriam senadores. Exatamente esta democracia que permite a bizarra manifestação de detentores de mandato contra ela. Isso me permite concluir que os senadores que são contra o ato pela democracia não se importariam de despachar em gabinetes depredados, com vidros, portas e cadeiras quebrados. Talvez até se equilibrando em cadeiras de três pernas. Sem computador, sem energia, e com as paredes manchadas de fezes. Olhos atentos observam que não é ignorância e sim hipocrisia. Ou esperteza para tentar manter seus votos na base extremista “que se sustenta graças ao caos cognitivo produzido por sua máquina de desinformação”, nas palavras do pensador João Cezar de Castro Rocha, um dos intelectuais brasileiros mais respeitados. João Cézar é Doutor pela universidade de Stanford. Dentre outras coisas. Que não serão citadas para não humilhar nossos senadores. Em tempo, a política também obedece às leis de mercado da oferta e da demanda. Se tem uma oferta de golpistas e reacionários é porque existe um mercado consumidor para esse tipo de produto. O brasileiro tem que ser estudado.
3-Contraditório
São contra um ato em defesa da democracia mas defendem anistia para quem participou dos atos que queriam um golpe de Estado. E em nome da democracia. O Brasil não é para amadores. Entre os 30 senadores que assinaram o manifesto contra o ato em defesa da democracia deste 08 de janeiro, figurinhas carimbadas como Flávio Bolsonaro e Magno Malta do PL; Luiz Carlos Heinze (PP), aquele que disse que quilombolas, índios, gays e lésbicas são tudo o que não presta; Marcos do Val (Podemos), que confessou ter recebido 50 milhões de reais em emendas do orçamento secreto por apoiar a candidatura de Rodrigo Pacheco (PSD) ; os caricatos Eduardo Girão (Novo) e Damares Alves (Republicanos) e Hamilton Mourão (Republicanos), autor de um Projeto de Lei que anistia os terroristas de 08 de janeiro de 2023. O Mourão, que quer anistia para os criminosos do Golpe de 8 de Janeiro é o mesmo que gastou R$ 736 mil do Fundo Eleitoral Público com desentupidora, agência de modelos e outras empresas estranhas. Como dizem que a depredação das sedes dos três poderes nesse dia foi praticada por petistas infiltrados, me assalta a dúvida: o general que foi vice de Jair Bolsonaro defende petistas? Virou comunista ou é só falta de seriedade mesmo? Olhos atentos observam que Sérgio Petecão (PSD), foi o único que nos salvou da vergonha nacional.
4-Desconhecimento
O projeto de anistia apresentado pelo senador Hamilton Mourão é outro desses que foi formulado apenas para mobilizar os saudosos da ditadura. O Congresso não pode anistiar terroristas. Se o projeto for aprovado o STF o torna sem efeito por ser inconstitucional. O artigo 5º da Constituição Federal estabelece que terrorismo é crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia “por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem”. Indo além: O inciso 47 do artigo quinto da Constituição diz que não haverá pena de morte mas o Código Penal Militar estabelece que a pena de morte pode ser aplicável em crimes militares em tempos de guerra, como os de traição: pegar em armas contra o Brasil, auxiliar o inimigo, causar a debandada da tropa por temor, fugir na presença do inimigo, rebelarem-se ou incitar a desobediência contra a hierarquia militar, desertar ou abandonar o posto na frente do inimigo, praticar genocídio e praticar crime de roubo ou de extorsão em zona de operações militares, entre outros.
5-Bois de piranha
Nenhuma figura relevante da Extrema Direita estava presente na manifestação que resultou na vandalização das sedes dos três poderes. Podem ter financiado, insuflado, mas não assumiram a linha de frente. Não são bobos. Como generais em guerra, mandaram os soldados para morrer na batalha. As marionetes agora pagam o pato. Amargam uma cadeia ou são controlados por tornozeleira eletrônica enquanto quem puxou os cordões está muito bem obrigado. Lacrando nas redes sociais. É o preço de se deixar dominar por teorias malucas. Quem age como ovelha acaba dominado pelos lobos. As ovelhas são sacrificadas no altar da sede de poder dos lobos. Pois.
6-Dúvida
Interessante observar que os 30 do Senado comparam em seu manifesto os atos terroristas de 08 de janeiro de 2023 com o protesto contra a privatização da água em São Paulo (Sabesp). Equiparam uma justa reivindicação popular a atos terroristas. Os primeiros queriam acabar com a democracia, os segundos lutavam pelo direito à água. O contorcionismo retórico não esconde o pensamento reacionário de quem se apresenta como patriota mas defende privatizações. Privatização a grosso modo significa vender o que não lhe pertence. Isso é o contrário de patriota. Patriota, segundo o dicionário, é quem ama a pátria e a ela presta serviços. Políticos que defendem a subtração da pátria parecem manter um relacionamento abusivo com o país. Dizem que a amam mas a subtraem. Como os homens que dizem amar a esposa mas a espancam. Olhos atentos buscam sem sucesso uma manifestação dos 30 em defesa da população.
7-Dia da Democracia
Numa tentativa de não deixar os atos de terrorismo caírem no esquecimento, o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal promovem um ato de defesa da democracia nesta segunda-feira (08). Pretendem marcar o 08 de janeiro como o Dia de Defesa da Democracia substituindo o Dia da Infâmia como ficou conhecido. Os manifestantes de 2023 questionavam o resultado das eleições e queriam o retorno de Jair Bolsonaro à presidência. Apesar da derrota nas urnas, quando a maioria da população brasileira optou por Lula. Os custos da depredação estão orçados em mais de 25 milhões de reais. Dinheiro suficiente para comprar mais de 30 mil cestas básicas.
8-Para refletir
Em 2016 Dilma Rousseff (PT) sofreu um golpe. Lula (PT), o maior líder político, foi preso por 580 dias. Um ano e 216 dias de prisão. Ficou impedido de disputar a eleição de 2018. Fernando Haddad (PT), foi colocado às pressas para concorrer. Perdeu a eleição para Jair Bolsonaro (PL). Seus apoiadores não depredaram. Não pediram o fechamento do STF. Não fizeram bonecos de ministro do STF enforcado. Não ameaçaram ministros. Não questionaram o resultado das urnas. Não atentaram contra a democracia. Se reorganizaram e lutaram legalmente para voltar ao poder. Democraticamente.
8-Violência
A violência campeia em Rio Branco. Os tiroteios e execuções se sucedem. Se existe um plano de segurança pública este nunca foi apresentado. E se existe é ineficiente. Ponto. Se houve alguma tentativa por parte dos deputados estaduais de esclarecer a existência de um possível plano de segurança para a população, desconheço. O problema requer uma solução urgente e compromisso dos gestores e classe política. Não podemos mais aguardar sentados.
Bom dia, deputado Fagner Calegário (Podemos). É verdade que Vossa Excelência está comprando a empresa de terceirizados Red Pontes? Está podendo hein?
Esta é uma coluna de opinião e reflexão
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