1- Crise
Esquerda e Direita no Brasil vivem grave crise de identidade. Para um lado basta ser bolsonarista e para o outro não basta ser bolsonarista. Fato é que Jair Bolsonaro (PL), sangra dentro da Extrema Direita e Lula da Silva (PT), sangra dentro da Esquerda. Jair enfraquece ao se deparar com a possibilidade do bolsonarismo sobreviver sem ele. Com Pablo Marçal (PRTB). O novo mito. Lula decepciona a Esquerda com um governo de Direita. Pelo menos na política internacional. Não reconhece o resultado da eleição na Venezuela e aprova uma resolução que imigrantes sem autorização serão obrigados a retornar ao país de origem. Do jeito que o Biden quer. Mais longe da América Latina e mais perto dos EUA. No caso da Extrema Direita seus expoentes se apresentam como antissistema. O sistema é capitalista. Ser antissistema seria ser socialista ou comunista. Pausa para risos. Olhos atentos observam que não há luz no fim do túnel. E a esperança não vem do céu nem das antenas de tv. Muito menos do Centrão que nem tem bandeira e segue a banda. Independente da música que a banda toca. A política foi reduzida a uma sinfonia onde todos desafinam.
2-Média
Para fazer média com o imperialismo Lula convocou um encontro mundial contra o extremismo tendo como convidados de honra o Joe Biden (EUA) e Emmanuel Macron (França). Lula que não reconhece o resultado da eleição na Venezuela, convida o Macron que se recusa a nomear o 1º ministro indicado pela coalizão de esquerda Nova Frente Popular. Pelas regras do parlamentarismo quem consegue o primeiro lugar nas eleições é quem indica o 1º ministro, mas Macron na cara dura disse que não vai cumprir a regra porque não quer nomear um governo de esquerda. Ele não quer. Ele decide. Sem consulta muda a regra. O Emmanuel também dissolveu a Assembleia Nacional. Mas suas ações não são questionadas. É considerado um democrata. E parabenizou Lula por não ter reconhecido o resultado da eleição venezuelana. E chama Maduro de ditador. Em tempo, Nicolás Maduro convoca o povo contra o fascismo. Mas é Macron que aparece à direita do painho. Nem reza para Nossa Senhora da Santa Incoerência resolve.
3- Veneno
De nada adianta o contorcionismo retórico de influenciadores pró- Lula. No camarote comemora-se o Brasil ter o respeito internacional e ser o preferido de investidores estrangeiros, os resultados da Bolsa de Valores, o PIB que cresceu enquanto o desemprego caiu, inflação controlada, a renda que aumentou, a fome que diminuiu e o crescimento das reservas internacionais. Na geral a realidade é outra. O pobre continua pagando caro pela sobrevivência. Alimentos, energia elétrica e transporte coletivo, caros. E depara-se com o desalento nas ruas onde a miséria se atira sobre ele personificada em pedintes. Só temos um ano e nove meses de governo dirão os apoiadores. Já se passaram um ano e nove meses deste governo, dizem os críticos. Grandes feitos não sensibilizam quem vive a incerteza de pagar as contas. Não basta não quebrar o país se ele não for para todos. Comemos veneno, respiramos veneno por causa dos “Neros” que tocam fogo no país, bebemos veneno, temos relações tóxicas com nossos políticos…depois reclamam que somos venenosos.
4-Incoerência
Em Jacareacanga (PA) o indígena Josimar Saure (PSB) é candidato a vereador defendendo garimpeiros. Na mesma cidade, Munduruku Thomaz Boro (Podemos), é candidato a vice-prefeito na chapa do também garimpeiro Raimundinho (Podemos). Em tempo, as maiores vítimas do garimpo na Amazônia foram as populações indígenas. Em 2021 uma liderança do povo Munduruku no mesmo município desses candidatos teve sua casa incendiada por garimpeiros porque lutava contra a mineração ilegal. Este é o puro suco de Brasil. Um país onde as ovelhas votam nos lobos. Não para tomar conta do rebanho, mas para conter o rebanho. Aqui, pretos votam em racista. Trabalhador rural vota em fazendeiro. LGBTs votam em homofóbicos e pobres votam em empresários. Em Rio Branco, o candidato do sindicato patronal que representa os empresários das empresas terceirizadas, Bruno Moraes (PP), conta com os votos dos trabalhadores terceirizados para se eleger vereador. Puro suco.
5-…e cúmulo da incoerência
Li em algum lugar que na periferia de São Paulo uma comunidade pobre manifestou desejo de votar em Pablo Marçal a quem pediram que intensifique a segurança pública no local. Pedem mais Estado para quem defende Estado Mínimo. A cabeça do eleitor é uma tragédia. E por falar em Marçal, a suspensão dos perfis dele nas redes sociais está sendo chamada de autoritarismo, falta de liberdade de expressão, ditadura da toga e por aí vai. Mas na eleição de 2022 todos os perfis do Partido da Causa Operária (PCO), foram suspensos e ninguém se manifestou.
6- Na luta
A conselheira do TCE Naluh Gouveia voltou aos bons tempos de enfrentamento que marcaram sua carreira política quando tinha o slogan “Na Luta”. Por conta da decisão da PGE e do TJAC em relação a suspensão dos efeitos do decreto que diminuía o tempo para a promoção de oficiais PM, jogou todos, Ministério Público, Procuradoria Geral do Estado e Tribunal de Justiça na vala dos “lambe-botas do governador”. Segundo Naluh, o Estado do Acre não está em posição de fazer gracinha que aumenta os gastos colocando em risco o pagamento dos salários e os fornecedores. O ponto alto da discussão foi o reconhecimento de outro conselheiro que não adianta fazer cautelar porque “o judiciário vai ser a favor do governador”. A reação de Naluh foi acionar o Conselho Nacional de Justiça para “questionar o que está havendo com o judiciário do Acre”. Em tempo, o judiciário brasileiro é o mais caro do mundo. Custa quase 2 % do PIB. Só para constar. Olhos atentos observam o tamanho da sorte do governador Gladson Cameli (PP), em não ter a Naluh Gouveia na Assembleia Legislativa. Se estivesse iria mostrar como fazer uma base governista inteira caber num bolso. Fato é que ao trocar a política pelo TCE, Naluh deixou um vácuo que nunca foi preenchido. Muitas tentaram. Nenhuma conseguiu.
7-Pesquisa
Sobre a pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 26, chama a atenção o alto índice de rejeição de todos os candidatos a prefeito de Rio Branco. É um recorde de ironia nenhum dos 4 candidatos ter menos de 30% de rejeição. Menino, não verás jamais resultado como este. Vale um lembrete: mudanças radicais e viradas são possibilidades, afinal eleição só se decide nas urnas. Alguns registros históricos para refrescar a memória: em 1982 Leonel Brizola começou com 2% e ganhou a eleição para governador do Rio de Janeiro. Em 2002, Ciro Gomes que chegou a empatar o 1º lugar com Lula, acabou em 4º lugar. Em 2020, Minoru Kinpara liderou as pesquisas e não foi nem para o segundo turno. Ponto.
7-Síndrome
Parece que uma estranha síndrome toma conta dos candidatos. A de fazer bobagens para aparecer. Os “aparecidos” em alguns casos beiram a delinquência a política e poderiam disputar pelo número 171. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima (PP), não chega a tanto mas que anda fazendo suas bobagens, lá isso anda. Depois de presentear o ex-presidente Jair Bolsonaro com produtos típicos de sua região, o que mereceu apenas um olhar enviesado, afinal o Jair gosta é de joias, saiu por aí empinando uma moto. Feito adolescente. Pegou mal. Um senhor sério… Antes de ser PP e adulador de Bolsonaro o Zequinha era militante do PCdoB. A vida toda. Dizem que as coisas mais chatas são os ex: ex-comunista e ex-fumante. Por nada não mas o intermediador do encontro com o Jair, foi o senador Márcio Bittar (União). Outro ex-comunista.
Bom dia, Normando Sales. Quer dizer que foi só Vossa Excelência Mr Carbono, abandonar Tião Bocalom (PL) para ele subir nas pesquisas? Liga não. Deve ser o agrotóxico fazendo efeito.
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