Os 92 deputados do PL, tentaram paralisar os trabalhos da Câmara dos Deputados para pressionar a votação da anistia para Jair Bolsonaro (PL). Para isso contaram com bolsonaristas de outros partidos. Deu ruim.
Mesmo com a tentativa de impedir a votação em plenário da Medida Provisória (MP) do governo Lula que abre crédito extraordinário de R$ 938 milhões para os ministérios financiarem medidas de combate a queimadas, a MP foi aprovada com 317 votos a favor e apenas 92 contrários. Os 92 que votaram contra a MP mostram que preferem Jair Bolsonaro anistiado pelo crime de ter tentado um golpe de Estado do que ver o país arder em chamas.
Sem força
Antes, o líder do PL, na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), havia esbravejado: “Enquanto ele [Hugo Motta] não decide, o PL vai estar em obstrução total”.
Sem dar importância às ameaças dos parlamentares que priorizam a anistia para Jair Bolsonaro em detrimento dos interesses da população, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), iniciou a sessão desta terça-feira, 01, sinalizou que não pautará o projeto de anistia aos golpistas.
Paralelo a isso o Senado aprovou o projeto de lei que impõe a reciprocidade de regras ambiental e comercial nas relações do Brasil com os Estados Unidos, a medida permite que o Brasil adote sanções contra os EUA na mesma medida em que for sancionado por Donald Trump.
A medida deve ser votada nesta quarta-feira, 02, na Câmara dos Deputados, onde os deputados federais que lutam para anistiar Jair Bolsonaro são pró-EUA e fãs de Trump. Lembrando que no Senado, a bancada do PL votou a favor da medida.
A proposta é de autoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), porta-voz do agronegócio no Senado. O agronegócio é um dos setores mais afetados pelo tarifaço de Trump. A medida no Senado, uniu partidos de Esquerda e Direita que aprovaram na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) autorizando a Câmara de Comércio Exterior (Camex) a aplicar retaliações comerciais sempre que ações de países ou blocos econômicos violem a soberania do Brasil, contrariem acordos comerciais dos quais o país é signatário ou imponham exigências ambientais mais rigorosas que as normas nacionais. A medida foi aprovada por unanimidade pelo plenário do Senado.
“Aí então o governo brasileiro tem ferramentas para contrapor quando essas medidas forem desarrazoadas ao nosso mercado”, destacou Tereza Cristina.
As exportações brasileiras de gás e alumínio aos Estados Unidos passaram a sofrer uma taxação adicional no mês passado. Trump também promete anunciar novas tarifas hoje.
“Este episódio entre Estados Unidos e Brasil deve nos ensinar, definitivamente, que nas horas mais importantes não existe um Brasil de esquerda ou um Brasil de direita. Existe apenas o povo brasileiro. E nós, representantes do povo, temos de ter a capacidade de defender o povo acima de nossas diferenças”, disse Motta.
Pressa
Donald Trump prometeu para hoje (2), novas tarifas entrarão em vigor imediatamente após o anúncio. A votação da matéria que permite que o Brasil responda com sanções iguais aos produtos dos EUA, colocará a bancada do PL e seus aliados bolsonaristas à prova. Vão ter que mostrar para o país se estão lá para defender o Brasil ou os Estados Unidos.
“Vão ter que fazer uma escolha. Se ficarem com o boné do Trump, trancando a pauta inconsequentemente, votarão contra o interesse do país, e ainda vão brigar com uma importante base deles, o agronegócio”, alertou o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias.
O PL anunciou na terça-feira (1º) que pretende obstruir todas as votações na Câmara para pressionar Hugo Motta a pautar a urgência do projeto de lei que prevê anistia para Jair Bolsonaro. Aguardemos.
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