Mandato à distância: dos EUA Eduardo Bolsonaro controla verbas e recebe auxílio moradia da Câmara

Mandato à distância: dos EUA Eduardo Bolsonaro controla verbas e recebe auxílio moradia da Câmara

O filho de Jair  recebeu salário integral e auxílio-moradia morando nos EUA

Eduardo Bolsonaro (PL-SP), permanece com poder sobre o gabinete na Câmara dos Deputados, mesmo após licenciar-se por 122 dias e mudar-se para os Estados Unidos. Durante o afastamento, ele seguiu nomeando servidores e recebendo verbas públicas, incluindo auxílio-moradia, apesar de residir no Texas.

O Missionário José Olímpio (PL-SP), assumiu o mandato em 21 de março e diz que não nomeou ninguém “porque o gabinete é do Eduardo”. Entretanto duas pessoas ganharam cargos em 25 de março. Quatro dias depois da posse Fabiano Augusto de Souza Araújo  Marcelo Pereira de Mello  passaram a integrar o gabinete. Além disso, em 21 de março, véspera do afastamento entrar em vigor, Bernardo Simões Broetto,  Bárbara Torquato do Nascimento e Telma Broetto também foram nomeados. Indicações feitas por Eduardo que continuou a comandar a equipe e os recursos mensais de R$ 133 mil destinados à contratação de até 25 assessores parlamentares.
O deputado-missionário da Igreja Mundial do Poder de Deus, afirmou que obedece ordens do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro e não pode sequer demitir ou fazer contratações no gabinete, que segue sob o comando do clã do ex-presidente.
Em março, mesmo ausente do Brasil, Eduardo Bolsonaro recebeu o salário integral de R$ 46.366,19, além do auxílio-moradia de R$ 4.253,00. Ele não abriu mão dos benefícios, apesar de estar vivendo fora do país.

De janeiro a março de 2025, a Câmara dos Deputados pagou dois deputados federais pelo mesmo mandato. Além do salário, verbas de gabinete e  auxílio-moradia para Eduardo Bolsonaro, pagou para seu suplente, o missionário José Olímpio recebeu R$ 10.597,99 por mês entre janeiro e março de 2025.

Desde que passou a ocupar o cargo, José Olímpio  participou de apenas uma sessão com discurso no plenário e assinou a coautoria de um único projeto ligado à bancada bolsonarista.  Ele assinou apenas a coautoria, juntamente com a bancada bolsonarista, de um Projeto de Lei, de autoria de Kim Kataguiri (União-SP) e Dayani Bittencourt (União-CE), que proíbe a oferta de Acordo de Não Persecução Penal aos crimes de corrupção ativa e corrupção passiva. As informações estão disponíveis no site da Câmara dos Deputados.

Enquanto isso, os assessores de Eduardo seguem atuando conforme a orientação direta do deputado, mantendo a estrutura ativa mesmo sem sua presença no Congresso Nacional.

Entenda:

  1. Eduardo Bolsonaro licenciou-se do mandato por 122 dias alegando motivos particulares e médicos.
  2. O deputado continua controlando a equipe e os recursos do gabinete, totalizando R$ 133 mil mensais.
  3. Nomeações ocorreram antes e depois da oficialização do afastamento.
  4. Eduardo recebe salário integral e auxílio-moradia, embora viva no exterior.
  5. O suplente José Olímpio assumiu formalmente, mas teve atuação parlamentar limitada. Com informações do Diário Carioca.
Na prática, José Olímpio não exerce nenhuma influência no mandato e obedece ordens diretas de Eduardo para qualquer ação.

“Eu não nomeei ninguém porque eu não posso. O gabinete é do Eduardo, não é meu. Para contratar, preciso da autorização dele. Estou trabalhando com a equipe dele”, disse o deputado figurativo ao jornal O Globo.

Na prática, como José Olímpio diz não ter autoridade sobre o próprio mandato, Eduardo segue dando as ordens direto do Texas.

Zeca Dirceu vai acionar Eduardo Bolsonaro por manter controle de gabinete mesmo afastado e fora do país

 O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) disse neste domingo (13) que vai representar o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por continuar mandando em seu gabinete parlamentar na Câmara dos Deputados em Brasília. “Se Eduardo Bolsonaro estiver recebendo auxílio moradia, vamos representar contra! “, disse Zeca Dirceu no X (antigo Twitter).

“Se ele estiver nomeando novos assessores, também tomaremos providências. É inadmissível que enquanto ele passeia e se diverte nos EUA, conspirando contra os interesses do Brasil, siga ao mesmo tempo sangrando os cofres públicos”, completou o deputado nas redes sociais.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o final de fevereiro, quando parlamentares do PT ingressaram no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de apreensão de seu passaporte. A sigla acusava Eduardo de atentar contra a soberania nacional ao atacar e tentar organizar uma reação ao Judiciário brasileiro a partir do exterior. No entanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a apreensão do passaporte de Eduardo.
Eduardo Bolsonaro não está sendo investigado pelo STF e não teve o passaporte apreendido. A atuação do pai dele que realiza comícios por todo o Brasil desmente a alegada censura. Portanto caem por terra os argumentos que lhe possibilitariam asilo político nos Estados Unidos.

Imagem- Suno

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