Coluna da Angélica: EUA ladra como um cachorro velho sem dentes

Coluna da Angélica: EUA ladra como um cachorro velho sem dentes

Seguindo a cartilha mundial da Extrema Direita, o governo Trump lança uma notícia de efeito lacrador por dia. Este é um modo eficiente de desviar o foco da falta de ações que realmente impactam para melhor a vida dos cidadãos. Lá como cá, agem mais como agitadores do que como políticos.

Ideologias fora, vamos aos fatos.

A resposta do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a uma pergunta do deputado republicano Corry Mills sobre a possibilidade de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes do STF,  foi que isso está sob análise e há uma grande possibilidade de que aconteça.

Pero no lo creo. As possíveis sanções seriam além de suspender o visto de entrada de Xandão nos Estados Unidos, o bloqueio de bens e contas financeiras em solo norte-americano.

E é aí que a porca torce o rabo.

Se as contas forem bloqueadas, o ministro não poderá utilizar cartões das estadunidenses Visa e MasterCard. Se um ministro da Suprema Corte não puder movimentar seu dinheiro através de seus cartões, o  governo brasileiro pode proibir as duas empresas de atuarem no Brasil e em isso acontecendo serão as empresas que se voltarão contra o autoproclamado xerife do mundo, Donald Trump. Afinal, a Mastercard domina mercado de cartões no Brasil com mais de 50% de participação e com o Brasil figurando entre o segundo e terceiro maior mercado mundial em resultados financeiros da empresa.

Estamos falando de lucros altíssimos que giram em bilhões de dólares.

A Visa, outra empresa de cartões dos EUA, teve um lucro líquido de US$ 5,3 bilhões no quarto trimestre fiscal em 2024. Parte expressiva desse lucro veio dos clientes brasileiros.

Alguém aí acha que essas duas empresas vão aceitar perder o mercado brasileiro por causa de aventuras ideológicas de seu alaranjado presidente?

Porque sim,  o Brasil terá que reagir porque sanções a um ministro da Suprema Corte do país não se limitam à pessoa Alexandre de Moraes mas atacam a soberania do Brasil para julgar pessoas dentro do nosso sistema legal.

Eduardo Bolsonaro que antecipou a possibilidade de sanções contra Xandão, na live realizada pelo pai Jair de dentro da UTI, no dia 23 de abril, comemorou a declaração de Rubio. Observe que o secretário dos EUA não declarou que Moraes está sancionado e sim que as sanções estão em estudo. Fruto do “trabalho” de Eduardo Bolsonaro. Outra torcida de rabo da porca. Se as sanções forem efetivadas, criarão um sério problema diplomático entre o Brasil e os EUA. Eduardo e seu gêmeo siamês político Paulo Figueiredo, o neto do ditador João Figueiredo, poderão ser responsabilizados por isso. De quebra, o pai, Jair Bolsonaro (PL), poderá ter mais um crime acrescentado a sua já extensa lista pois declarou que sustenta a permanência do rebento nos Estados Unidos com dinheiro de Pix arrecadado de doações na campanha para pagar advogados. Se financia crime, criminoso é.

O filho de Jair, está nos EUA tentando convencer que os direitos humanos não estão sendo respeitados no Brasil, que a censura aqui é generalizada, que a perseguição política atinge toda a oposição incluindo jornalistas e cidadãos comuns e principalmente que a iminente prisão do ex-presidente seria uma prisão política. Acertou numa Dudu. A prisão de Jair é política. Afinal tentou dar um golpe para implantar a ditadura da família Bolsonaro. Olhos atentos observam que golpe se sustenta com ditadura.

Nem vou entrar na questão da extensão das sanções ao Xandão e esposa dele, a outros ministros do STF e suas esposas porque o espaço é pequeno e minha paciência menor ainda. Mas Eduardo disse “uma vez sancionado [Moraes], eu duvido que outros ministros da Suprema Corte vão se enveredar por esse caminho. Não faz sentido ir para o mesmo caminho e tomar as mesmas sanções. Porque para o Trump sancionar 1, 2, 3, 4 não vai fazer diferença nenhuma”.  Só vou lembrar que toda a ditadura neutraliza o judiciário e essa interferência externa que o Dudu quer visa prejudicar o funcionamento democrático do Brasil.

O trabalho do filhote nos EUA que dá sequência à minuta do golpe do Papi, que previa a prisão de ministros do STF, pode resultar numa punição por ser ele um agente público (deputado federal),  que acintosamente vai a outro país insuflar uma ação de um governo estrangeiro contra o Brasil. O que possivelmente faça com que ele não retorne ao Brasil. E sinceramente não fará falta.

Eduardo largou a Câmara com apenas três projetos aprovados em 10 anos. E em um deles foi como coautor da proposta do PT que autorizava o uso da fosfoetanolamina sintética por pacientes com câncer. O outro foi o que instituiu o Dia Nacional da Pessoa com Atrofia Muscular Espinhal e o terceiro foi o que criou o Grupo Parlamentar Brasil-Bahrein.

Em outras palavras foi uma média de uma lei a cada três anos e três meses. No mais, recebia um salário de R$ 46.366,10 para se promover com um comportamento  panfletário nas redes sociais. E já que é adepto dos Estados Unidos acima de todos aguardamos ansiosamente que repita o Dia do Fico de Dom Pedro I.

Olhos atentos deixam um post it para Eduardo Bolsonaro lembrando-o que seu ídolo Donald Trump costuma voltar atrás em suas decisões e declarações.

A geopolítica é mais que um moinho que tritura seus sonhos, é uma areia movediça.

E o Xandão não tá nem aí. Segue com a careca brilhando e a caneta firme, sem dar a mínima para o Mickey ou Pateta.

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