Flotilha da Liberdade é atacada por Israel em águas internacionais. Passageiros e tripulantes são sequestrados

Flotilha da Liberdade é atacada por Israel em águas internacionais. Passageiros e tripulantes são sequestrados

Entre os ativistas sequestrados estão o brasileiro Thiago Ávila e a sueca Greta Thunberg

Em flagrante violação de todas as normas e leis internacionais o navio Madleen, que levava ajuda humanitária (comida, medicamentos), a palestinos na Faixa de Gaza, foi interceptado por forças israelenses neste domingo (8) a aproximadamente 160 quilômetros do território palestino, ainda em águas internacionais. Antes da abordagem o navio foi bombardeado por drones com produto químico e os ativistas postaram vídeos nas redes sociais alertando para a ação de Israel e pedindo socorro ao mundo.

“Olá a todos, sou Thiago Ávila. Sou cidadão brasileiro, membro da Coalizão Flotilha da Liberdade, e se vocês estão assistindo a este vídeo, significa que fui detido ou sequestrado por Israel ou outra força cúmplice no Mediterrâneo, a caminho de Gaza para romper o cerco humanitário. E, neste caso, peço que pressionem meu governo e os governos dos meus camaradas para que sejamos libertados da prisão e rompamos relações com Israel, para pôr fim ao genocídio e ao cerco que Israel impôs ao povo palestino. Contamos com vocês neste momento”, afirma Ávila no vídeo.

“Meu nome é Greta Thunberg e sou da Suécia. Se você estiver vendo este vídeo, fomos interceptados e sequestrados em águas internacionais pelas forças de ocupação israelenses ou por forças que apoiam Israel. Peço a todos os meus amigos, familiares e camaradas que pressionem o governo sueco para que eu e os outros sejamos libertados o mais rápido possível”, afirma Greta Thunberg.

Foram os últimos vídeos postados antes de serem rendidos pelos israelenses. Segundo informações, todos os passageiros do Madleen foram obrigados a jogar os celulares ao mar.

Em vídeo gravado antes da ação, Ávila afirma que, caso a gravação fosse publicada, significaria que havia sido detido ou “sequestrado” pelas forças israelenses. No mesmo sentido, a ativista sueca Greta Thunberg também denunciou o sequestro e pediu pressão internacional por sua libertação. Vídeos de Greta Thunberg e Thiago Ávila denunciando suas prisões foram publicados pela organização do movimento.

Mundialmente conhecida, Greta Thumberg, é o seguro de vida dos ativistas humanitários. Entende-se que a presença dela na missão, por causa de sua fama mundial, impede que os demais ativistas sejam mortos como aconteceu em 2010 quando Israel abordou a também flotilha humanitária Mavi Marmara e matou nove ativistas turcos que tentavam chegar à Gaza com suprimentos para os palestinos.  A presença de Greta foi ironizada pelo governo israelense que taxou o navio Madleen de “navio das selfies. O Madleen é um navio de bandeira britânica que transportou os 12 ativistas.

Além de Greta Thumberg e do brasileiro Thiago Ávila também estão sequestrados: Rima Hassan – Deputada franco-palestina do Parlamento Europeu; Yasemin Acar da Alemanha; Baptiste Andre, o correspondente da Al Jazeera Omar Faiad; Pascal Maurieras; Yanis Mhamdi e Reva Viard, todos da França; Marco van Rennes da Holanda; Sergio Toribio da Espanha e Suayb Ordu da Turquia.

A ativista e coordenadora da flotilha, Huwaida Arraf, denunciou o ocorrido como um sequestro. “Todas as pessoas a bordo foram raptadas. Elas foram levadas contra a vontade enquanto navegavam pacífica e legalmente em águas internacionais”, afirmou. Arraf também destacou que o trajeto estava direcionado às águas territoriais palestinas, sem qualquer aproximação da zona marítima israelense. “É preciso deixar muito claro que Israel não tem absolutamente nenhuma jurisdição, nenhuma autoridade legal para assumir o controle desta embarcação”, declarou.

Itamaraty exige libertação imediata dos ativistas

O governo Lula (PT) exigiu, por meio de nota oficial divulgada nesta segunda-feira (9), a libertação imediata dos ativistas da Flotilha da Liberdade.

“O governo brasileiro acompanha com atenção a interceptação, pela marinha israelense, da embarcação Madleen, que se dirigia à costa palestina para levar itens básicos de ajuda humanitária à Faixa de Gaza e cuja tripulação, composta por 12 ativistas, inclui o cidadão brasileiro Thiago Ávila. Ao recordar o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais, o Brasil insta o governo israelense a libertar os tripulantes detidos”, diz o comunicado.

“Sublinha, ademais, a necessidade de que Israel remova imediatamente todas as restrições à entrada de ajuda humanitária em território palestino, de acordo com suas obrigações como potência ocupante. As Embaixadas na região estão sob alerta para, caso necessário, prestar a assistência consular cabível, em consonância com a Convenção de Viena sobre Relações Consulares”, prossegue a nota.

A repercussão ultrapassou fronteiras e chegou ao parlamento australiano. David Shoebridge, senador do partido Australian Greens, condenou firmemente a ação militar israelense. “O ataque militar israelense a um barco cheio de ativistas desarmados, levando comida e medicamentos para Gaza, é uma clara violação do direito internacional”, afirmou. Shoebridge pediu sanções imediatas. “Essa agressão deve ser fortemente condenada e gerar consequências. O governo australiano deve impor sanções imediatas à indústria bélica israelense e ao governo de Netanyahu”, completou o parlamentar.

Flotilha da Liberdade

A Flotilha da Liberdade é uma iniciativa internacional formada por ativistas, médicos, parlamentares e jornalistas que denunciam o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza.

A repressão à missão humanitária ocorre em meio a um agravamento da crise em Gaza, que enfrenta escassez de alimentos, medicamentos e serviços básicos em razão do cerco militar imposto por Israel. A própria ONU já classificou a situação como “catastrófica” e vem cobrando abertura de corredores humanitários para suprimentos urgentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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