Em nome do voto
Michelle Bolsonaro descobriu Rodrigues Alves. Uma cidade que ela nem sabia que existia. E que lá falta uma ponte. Descoberta tardia. A construção desta ponte foi incluída no PAC e o Superintendente do DNIT até anunciou meses atrás que a licitação do projeto para ponte entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul está marcada para este mês de julho e a obra poderá ser iniciada em 2026.
Não sei se não contaram ou se isso não importava para a esposa de Jair Bolsonaro, afinal rendeu posts no Instagram. E é com isso que alimentam sua base. Discursos inflamados mas vazios, pois o marido esteve na presidência do país por 4 anos e não fez a ponte de Rodrigues Alves, aliás, não fez nada nem pela BR 364 que deixou acabar.
O teatrinho da ex-primeira dama foi feito na presença do senador Márcio Bittar- do União mas PL de coração. Rimou. Olhos atentos afirmam que o nome do senador rima com muita coisa, mas jamais com poesia…nem com versinhos.
Michelle apostou na memória curta do povo e atingiu Márcio Bittar que foi o relator do Orçamento Secreto, também conhecido por Bolsolão, para o qual Jair Bolsonaro (PL), marido de Michelle liberou desde o início de 2020 mais de R$ 50 bilhões, sendo que Márcio Bittar foi um dos que mais indicaram verbas…por que então a ponte não foi feita?
Dito isso, sou obrigada a concordar com Michelle quando disse: “Olha a maldade dos nossos governantes, que não usam os seus mandatos para transformar a vida das pessoas”. Então, né? Pausa para risos.
Do alto de sua pretensão a presidente nacional do PL Mulher disse que o encontro veio com a missão de “ensinar (ops!) a responsabilidade dos cidadãos em momentos decisivos, como as eleições”. Assim mesmo. A dama sem formação ensina os cidadãos do Acre. Escreve torto por linhas retas no capítulo “De olho no espólio do capitão”.
Sem propostas práticas, Michelle copiou a ideia de Andressa Urach (atriz pornô e prostituta) e da ex-deputada Joice Hasselmann, que escreveram cartas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e endereçou a dela ao presidente Lula. Enquanto a ex-líder de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados diz em sua carta que a família Bolsonaro é corrupta, Michelle culpa Lula pela taxação de Trump. Embora seu enteado Eduardo Bolsonaro tenha dito para o mundo que a ação de Trump é resultado do trabalho dele, Eduardo.
“Os Bolsonaros – leia-se Jair Bolsonaro os filhos e a mulher – incentivaram e trabalharam para que o presidente dos EUA, Donald Trump, criasse uma tarifa de 50% às exportações brasileiras, prejudicando o País e sua economia. Conhecia a virulência e o radicalismo evangélico de Michelle Bolsonaro, mas não sua parte cômica”, resumiu o colunista Luiz Carlos Moreira Jorge.
E aqui, outro ponto a destacar: o senador Márcio Bittar trocou a audiência pública na Assembleia Legislativa que discutiu os embargos de terras que atingem produtores de todo o estado pela função de cicerone de Michelle pelo Juruá. Bittar é companheiro de fé de Michelle desde que se batizou na Assembleia de Deus de Madureira. O que não escapou do olhar crítico da colunista Dora Monteiro. Em nota intitulada “Amém, aleluia, irmão!”, Dora expõe o pensamento de muitos: ” E não é que aquele senador- um dos mais fervorosos da ala radical do bolsonarismo, reapareceu em evento religioso entoando os já desgastados discursos sobre família e bons costumes? Só esqueceu de explicar o que o motivou a abandonar a esposa e parceira de vida logo após conquistar a cobiçada cadeira no Senado. Coerência, pelo visto, não faz parte do pacote moral do dito cujo”.
“É hora de darmos mais voz às mulheres acreanas”, disse Michelle no dia em que a foto da acreana Marina Silva foi coberta em ato simbólico de rejeição durante a audiência pública na Aleac.
Pobre Acre que reverencia Michelle e despreza Marina, que junto com Dilma Rousseff forma a dupla de mulheres brasileiras reconhecidas internacionalmente na lista das mais importantes do mundo.
Espertamente o governador Gladson Camelí não participou da agenda de Michelle Bolsonaro no Acre. O jornalista Leônidas Badaró lembrou: “o governador nunca “embarcou” no discurso radical da turma do ex-presidente. Quando Bolsonaro teve o “desatino” de contestar a vacina no auge da pandemia, Camelí agiu ao contrário”. Mas o prefeito Tião Bocalom (PL), estava lá. Feliz da vida. E parabenizou a atuação da família Bolsonaro que confessadamente trabalha em causa própria e contra o país. Vide o caso da taxação de Trump. Olhos atentos observam que o “Velho Boca” sonha com uma carreira política casada, unindo a dele e a da nova esposa.
Parafraseando Michelle Bolsonaro, … a gente vê quem eles defendem. Que a gente possa escolher melhor nossos políticos e os nossos representantes”.
A gente vê e olhos atentos observam, leem com atenção o currículo e analisam a prática para além do discurso. Por isso não caem do conto.
Bom dia, olhos atentos do Acre
Coluna de opinião
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