Guerra de Trump ao Pix: quer fazer voltar ao tempo de TED, DOC ou maquininhas cobrando 4% por transação

Guerra de Trump ao Pix: quer fazer voltar ao tempo de TED, DOC ou maquininhas cobrando 4% por transação

O governo dos Estados Unidos, por ordem direta de Donald Trump, abriu uma investigação comercial contra o Brasil. O motivo? Práticas supostamente “desleais” em várias áreas, do etanol ao desmatamento. Mas um ponto específico vai virar dinamite na política brasileira.

Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, o Brasil estaria prejudicando empresas americanas ao utilizar um sistema de pagamentos desenvolvido pelo governo — no caso, o Pix. É como se dissesse: o Pix é bom demais, rápido demais, eficiente demais — e isso é injusto com os cartões de crédito cobradores de tarifa das big techs dos EUA. A alegação é absurda, mas real. Trump quer enquadrar o Pix como uma “ameaça” à concorrência.

Esse ataque é um erro monumental. Nenhum governo, seja de esquerda ou direita, conseguiria justificar para a população a destruição de um sistema que virou parte da vida cotidiana. O Pix foi uma das poucas inovações estatais brasileiras amplamente aceitas, usadas e elogiadas pela população inteira — sobretudo nas periferias urbanas e no comércio informal. Tirar ou sabotar o Pix é declarar guerra a quem mais precisa dele.

Não há influencer de direita, vereador ou pastor que consiga explicar em bom português por que o povo teria que voltar ao tempo de TED, DOC ou maquininhas cobrando 4% por transação. Quando a conta do bar, o aluguel do quarto ou a venda da quentinha ficarem mais difíceis, o discurso do “Trump é nosso aliado” perde qualquer força.

Trump também mira outros pontos de fricção: tarifas “injustas”, desmatamento, pirataria na 25 de Março, bloqueio a redes sociais que não moderam conteúdo golpista, dificuldade de acesso ao mercado brasileiro de etanol. Nada disso, porém, tem o poder simbólico e material do ataque ao Pix.

Essa decisão tem data para escalar. Em 1º de agosto, entra em vigor o tarifaço de 50% contra todos os produtos brasileiros. É uma tentativa de sufocar o Brasil economicamente — sem base técnica, sem negociação e com motivação claramente política.

Trump usou o processo no STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como justificativa indireta para punir o Brasil. Ataca a soberania do Judiciário brasileiro ao defender redes sociais que espalham mentiras e conspiracionismo. Ao mesmo tempo, acusa o Brasil de não proteger propriedade intelectual e de manter uma zona franca de falsificações em São Paulo.

O movimento é parte de uma guinada nacionalista dos EUA, que já havia atingido a China e a União Europeia. Agora, Trump testa o Brasil. E expõe a fraqueza do bolsonarismo: sua total submissão ao trumpismo. Mesmo sendo chutado, Bolsonaro silencia. Mesmo sendo penalizado, seus aliados fingem que nada acontece.

Mas dessa vez, o golpe vai bater no estômago do povo. O Pix não é ideologia — é sobrevivência. A perseguição a ele pode, sim, marcar o começo do fim do bolsonarismo como fenômeno popular. Afinal, nem o mais fanático vai aceitar ficar sem receber um Pix porque Trump mandou.

Por Kiko Nogueira

Veja também

Lula sanciona ampliação de atendimento cardiovascular em UPAs

Lula sanciona ampliação de atendimento cardiovascular em UPAs

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto que amplia o atendimento a …