Bizarro: advogada que surrava vítimas com porrete fazia oração da extorsão

Bizarro: advogada que surrava vítimas com porrete fazia oração da extorsão

O lado sombrio da relação entre advogada e policial militar presos por esquema violento de agiotagem

Seis pessoas investigadas por agiotagem e extorsão, além de lavagem de dinheiro, foram detidas por policiais civis de Luziânia (GO), entorno do Distrito Federal, em 28 de novembro. A apuração revela que, entre os presos, estão três policiais militares em atuação, uma advogada que atuava como suporte jurídico para “blindar” o bando, e dois civis.

A investigação aponta que o grupo operava como uma organização criminosa estruturada, com o policial militar de Luziânia, Hebert Francisco Póvoa, sendo o suposto líder do bando, auxiliado por sua esposa, a advogada Tatiane Meireles. As investigações indicam uma grande movimentação de altas quantias, atuando com juros abusivos e recorrendo sistematicamente à extorsão, ameaças e agressões físicas contra devedores.

Além de policial militar, agiota e torturador, Herbert Francisco também já foi ex-candidato a vereador pelo Partido Liberal (PL), sob o nome de “Sargento Póvoa”.

Criminosos torturavam as vítimas

O nível de barbárie e selvageria das cobranças contra os devedores submetidos aos juros abusivos foi registrado com violência explícita, demonstrando a confiança dos criminosos na impunidade em gravar suas ações. Em um vídeo que veio à tona, uma vítima aparece agachada no chão, em sofrimento e humilhação, com dor e chorando. O agressor, um dos membros da quadrilha, proferiu ameaças e agressões, chutando e ordenando: “Levanta! Cola aqui até às 9 da noite.”.

As investigações apontam que a advogada Tatiane Meireles, esposa do PM apontado como líder da organização, não apenas oferecia suporte jurídico para assegurar a impunidade do grupo, mas participava diretamente das torturas. A advogada foi flagrada golpeando uma das vítimas com um cassetete e gritando: “Levanta! Levanta o braço, porra!”.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, o aparato policial recolheu diversas armas e uma quantia de R$ 10 mil em espécie. A nota oficial da Polícia Militar de Goiás, se limitou a dizer que “não compactua com desvios de conduta” e que adotou “medidas administrativas cabíveis”.

Histórico de omissão frente à tortura e crimes eleitorais

Segundo A Nova Democracia, a apuração revela que o líder da organização criminosa possui um extenso histórico de barbárie. Em 2016, o Ministério Público o denunciou pelo grave crime de tortura por omissão, ao lado de outros policiais militares e rodoviários federais. A denúncia aponta que, em Valparaíso de Goiás, Póvoa e seus pares se omitiram de seu dever legal e permitiram que um policial civil agredisse e torturasse duas vítimas.

Essa selvageria em 2013, que levou à denúncia de 2016, ocorreu nas dependências do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops). O policial civil aplicou golpes de porretes nas vítimas Hylden Mezet Coelho e Vinícius Mesquita Rodrigues, cujas lesões foram fartamente comprovadas por relatório médico.

Póvoa também foi condenado pela Justiça Eleitoral por litigância de má-fé em uma representação contra um adversário na farsa eleitoral. Segundo a condenação, ele utilizou o aparelho judiciário para semear a calúnia. A juíza eleitoral Luciana Oliveira constatou o uso de matérias jornalísticas com informações falsas, anexadas ao processo.

Casal criminoso em oração

Em uma gravação a advogada Tatiane Meireles e o sargento PM de Goiás Hebert Póvoa aparecem realizando uma “oração da extorsão” sobre maços de dinheiro arrecadados pela quadrilha.

As imagens, gravadas em Luziânia (GO), no Entorno do DF, e obtidas pela polícia durante a operação de sexta-feira (28/11) mostram os dois agradecendo e pedindo que o dinheiro fruto das cobranças violentas fosse “multiplicado”.

“O Senhor nos faz grande e que todos tenham gratidão, e que o dinheiro retorne para nós. Um dinheiro abençoado… e que estamos abençoando essas pessoas. Pedimos a Deus que multiplique esse dinheiro. Pedimos ao Pai amado que nós possamos multiplicar esse dinheiro.”

Assista ao vídeo

 

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