A mobilização foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical do país, que classifica as mudanças propostas pelo Executivo como “regressivas”. O projeto já recebeu aval do Senado na semana passada e agora enfrenta análise dos deputados.
A proposta em discussão amplia a jornada de trabalho para até 12 horas, reduz valores de indenizações, autoriza a possibilidade de pagamento em bens ou serviços e impõe restrições ao direito de greve, entre outros pontos.
Para garantir a continuidade da tramitação na Câmara, o partido governista retirou do texto um dispositivo considerado polêmico, que previa a redução do salário para entre 50% e 75% durante períodos de licença médica.
A greve ocorre em um cenário econômico delicado. De acordo com informações sindicais, mais de 21 mil empresas encerraram atividades nos últimos dois anos, com a eliminação de cerca de 300 mil postos de trabalho.
Um dos casos recentes mais emblemáticos é o da Fate, principal fabricante de pneus do país, que anunciou o fechamento das operações e a demissão de mais de 900 trabalhadores, alegando perda de competitividade diante da abertura das importações.
A Aerolíneas Argentinas informou o cancelamento de 255 voos, afetando cerca de 31 mil passageiros. Trabalhadores portuários também cruzaram os braços, interrompendo atividades em terminais relevantes como o de Rosário, um dos principais polos de exportação agrícola do mundo.
O governo está confiante de que tem os votos necessários para aprovar o projeto de lei antioperário, que terá de retornar ao Senado. Em resposta, trens, metrôs, ônibus e aviões estão paralisados. Alguns sindicatos e organizações estão marchando até o Congresso, informa o jornal argentino Página 12.
“Queremos dizer ao governo que o povo não lhe deu o voto para que lhe tire direitos”, afirmou Cristian Jerónimo, um dos secretários-gerais da CGT.
Embora a convocação oficial da CGT não inclua mobilizações de rua, outras entidades sindicais e agrupações políticas anunciaram marchas até a Praça do Congresso, no centro de Buenos Aires, onde a sessão legislativa está prevista para começar às 14h.
Ameaça
A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, fez uma dura ameaça pelas redes sociais aos participantes dos protestos de hoje contra a reforma trabalhista, que fazem parte da greve geral.
“Quero ser clara: marchas pacíficas são um direito. Violência não é”, escreveu a sucessora de Patricia Bullrich. O governo lançou uma grande operação em torno do Congresso e também ameaça aplicar o protocolo antiprotestos a manifestações em várias partes da Região Metropolitana de Buenos Aires (AMBA).
Portos paralisados
Os portos de todo o país acordaram completamente paralisados, em resposta à medida ordenada pela Federação Argentina de Estivadores Portuários (FEPA) em apoio à greve convocada pela CGT contra a reforma trabalhista em debate no Congresso Nacional.
A paralisação está sendo implementada em todos os sindicatos portuários da Argentina (SUPA), abrangendo portos de carga geral, grãos e pesca em todo o país. As operações foram completamente interrompidas nos diversos terminais portuários, confirmando o impacto total da medida.
Líderes sindicais indicaram que a greve está sendo amplamente aderida e que os trabalhadores portuários estão na linha de frente do dia nacional de paralisação. A paralisação do sistema portuário representa um dos pontos mais críticos da rede logística e comercial do país.
Nas últimas horas, os aliados de Javier Milei no Congresso aumentaram a pressão. Abandonaram a ideia de modificar o artigo da reforma trabalhista que estipula que os trabalhadores receberão salário reduzido em caso de doença e propuseram sua eliminação completa. Sem espaço para negociação, o presidente cedeu, aceitou a mudança e o projeto de lei terá que retornar ao Senado para apreciação. “Cometemos um erro porque a lei original não faz distinção entre doenças”, reconheceu a líder do bloco governista no Senado, Patricia Bullrich.
Milei, em Washington
O presidente Javier Milei desembarcou na capital dos EUA para sua décima quarta visita ao país. Em meio à greve geral da CGT e enquanto a Câmara dos Deputados debate a reforma trabalhista, o presidente participará da sessão inaugural do “Conselho da Paz”, fundado por Donald Trump como uma ONU paralela.
Milei, juntamente com o Ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, e a Secretária-Geral da Presidência, Karina Milei, visitarão o Instituto da Paz Donald J. Trump, localizado diagonalmente em frente ao Departamento de Estado e a poucos metros do Lincoln Memorial. A sessão inaugural do recém-formado Conselho da Paz ocorrerá ao meio-dia, horário da Argentina.
Após o evento, onde se espera outra foto com Trump, o presidente seguirá para sua acomodação e, em seguida, para a Base Aérea de Andrews, onde permanecerá por algumas horas sem atividades confirmadas. O voo especial de volta à Argentina está programado para partir às 21h, chegando a Buenos Aires às 7h30 da manhã de sexta-feira.
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
