Enquanto Minas Gerais tenta superar uma das maiores tragédias climáticas de sua história recente, o governador Romeu Zema (Novo) parece ter estabelecido prioridades bem distantes do socorro às vítimas. Com a Zona da Mata em frangalhos e um rastro de 72 mortos em cidades como Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, Zema abandonou o gabinete de crise para se juntar ao clã Bolsonaro e seus apoiadores em um ato político esvaziado em São Paulo, transformando o luto dos mineiros em palanque de extrema direita.
A fúria das águas que devastou Minas Gerais nos últimos dias trouxe à tona um dado escandaloso de ineficiência administrativa de Zema. Ficou comprovado que o governo dele ignorou a disponibilidade de R$ 3,5 bilhões enviados pelo governo federal, via Novo PAC, especificamente para obras de drenagem, contenção de encostas e prevenção de desastres.
O recurso, ofertado pela gestão do presidente Lula (PT), ficou à disposição do estado por mais de três anos. No entanto, o governador mineiro, que se autodenomina “eficiente” e “técnico”, não apresentou um único projeto executivo para acessar a verba. O “recibo” da negligência de Zema foi passado publicamente pelo próprio presidente da República e pelo ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, durante visita técnica à Zona da Mata para prestar a assistência que o governo estadual falhou em estruturar.
Mesmo com o estado contabilizando dezenas de sepultamentos e milhares de desabrigados, Zema não se constrangeu ao subir no trio elétrico em solo paulista. Com sua habitual voz mansa, mas carregada de ataques ideológicos, o governador disparou contra o que chamou de “intocáveis de Brasília”, o velho e já conhecido espantalho do bolsonarismo, ignorando que são justamente essas autoridades que estão, neste momento, enviando recursos emergenciais que ele próprio não soube gerir.
“Estou emocionado com essa multidão, com essa força, com essa união. Mas quero dizer que o Brasil não aguenta mais essa farra dos intocáveis, daqueles que estão lá em Brasília e se consideram acima de todas as leis. Não vamos nos vergar, não vamos permitir que esses absurdos que estão acontecendo continuem. Se for necessário, venho 50 vezes para poder acabar com esses intocáveis”, bradou o governador sob aplausos de bolsonaristas.
Sujeito de parca cognição política
A ausência de Zema no território mineiro durante o ápice da crise não é apenas um erro de agenda; é um abandono de dever. Para observadores políticos, a postura reforça sua já conhecida parca capacidade cognitiva, em muitos momentos fundida com a malandragem dos extremistas caricatos e descompromissados de seu grupo político: enquanto o povo mineiro afunda no lamaçal em busca por sobreviventes, seu governante máximo prefere a micareta e a fanfarra ideológicas patrocinadas pela família Bolsonaro.
Mas isso não vem à toa e a estratégia de Zema parece clara. Ele quer fugir da responsabilidade técnica pelos R$ 3,5 bilhões desperdiçados e tentar se manter relevante no ecossistema da extrema direita, custe o que custar, mesmo que isso inclua a segurança e a vida dos cidadãos de Minas Gerais. Com informações da Fórum
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