A tragédia que resultou na morte de duas funcionárias da Educação dentro da escola Instituto São José, em hipótese alguma, deve ser interpretada como um evento isolado. Quando a violência atravessa os muros escolares, ela não nasce nesse espaço; ela é socialmente construída e, posteriormente manifestada.
O episódio ocorrido, protagonizado por um adolescente de apenas 13 anos, não se limita a um caso policial. Trata-se de um fenômeno social, educativo, político e também digital, que exige mais que comoção social: exige análise crítica e autocrítica coletiva.
Na educação, é amplamente reconhecido que a aprendizagem ocorre por meio da experiência, da observação social e da convivência social. A teoria da aprendizagem social, desenvolvida por Albert Bandura, sustenta que crianças e adolescentes aprendem comportamentos ao observar modelos, especialmente aqueles que ocupam posições de autoridade, influência ou admiração.
Na contemporaneidade, esses “modelos” não se restringem mais ao convívio familiar ou escolar. Eles são amplamente difundidos por meio da internet e das redes sociais, ampliando significativamente o alcance dos discursos e comportamentos.
Isso implica que discursos e práticas sociais não são neutros. Quando figuras públicas- sejam políticas, religiosas ou midiáticas- normalizam o ódio, incentivam a intolerância ou defendem a violência como solução, estão, consciente ou inconscientemente, ensinando.
A internet tem desempenhado papel central na amplificação de discursos sociais. Plataformas digitais e redes sociais possibilitam a rápida disseminação de ideias, inclusive aquelas marcadas por intolerância, radicalização e discurso de ódio.
Nesse ambiente, conteúdos violentos ou polarizados, tendem a ganhar maior visibilidade, seja pelo engajamento, seja por algoritmos que favorecem conteúdos de maior impacto emocional. Como consequência, cria-se um cenário que a agressividade verbal e simbólica tona-se cotidiana.
No contexto brasileiro recente, parte desses discursos foi amplamente difundida por lideranças e segmentos associados ao bolsonarismo, que passaram a defender, de forma recorrente, o armamento civil e o enfrentamento direto como resposta à criminalidade. A internet, nesse processo, funcionou como vetor de expansão dessas ideias, ampliando seu alcance e influência.
A ideia que “mais armas trarão mais segurança” ignora evidências empíricas que apontam que o aumento da circulação de armas tende a elevar os índices de violência, acidentes e conflitos letais. Além disso, a repetição constante desses discursos contribui para a naturalização da violência como instrumento legítimo de resolução de conflitos.
Por Claudio Ezequiel- professor, ex-presidente do SINTEAC, mestre em Serviço Público e Política Social-USAL- Salamanca (Espanha)
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