Candidata de extrema direita, filha de ditador, Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru

Candidata de extrema direita, filha de ditador, Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru

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Keiko Fujimori foi eleita presidente do Peru ao atingir uma vantagem matematicamente insuperável sobre Roberto Sanchez no segundo turno, resultado que a coloca no caminho para assumir o governo em meio a uma disputa apertada, marcada por contestações e pela expectativa de proclamação oficial pela autoridade eleitoral em meados de julho.

Segundo dados da ONPE, autoridade eleitoral peruana, Fujimori alcançou 50,11% dos votos e abriu 43.386 votos de vantagem sobre Sanchez. O número de votos ainda potencialmente pendentes era de 40.213, o que tornou a diferença impossível de ser revertida dentro da apuração restante.

Candidata conservadora e filha do ex-ditador Alberto Fujimori, Keiko disputou a Presidência pela quarta vez. Sua vantagem no segundo turno representa um desfecho decisivo em uma das eleições mais tensas da história recente do Peru, país que atravessa uma longa crise de instabilidade política.

O resultado também reforça o avanço de forças de direita na América Latina. A possível chegada de Fujimori ao poder ocorre poucos dias após a eleição de Abelardo De La Espriella na Colômbia, em um cenário regional no qual a preocupação com criminalidade tem impulsionado candidatos de perfil mais duro.

A reta final da apuração foi marcada por acusações de Roberto Sanchez. O candidato afirmou que “uma fraude estava em andamento” e disse que não reconheceria o resultado. A declaração elevou a possibilidade de uma crise política prolongada no país.

Sanchez também pediu a anulação de milhares de votos depositados no exterior, que favoreciam majoritariamente Fujimori. O júri eleitoral nacional do Peru rejeitou a solicitação, mantendo esses votos no processo de contagem.

A demora na conclusão do segundo turno ocorreu por causa da combinação entre margem estreita, revisão de cédulas contestadas e chegada tardia de votos de peruanos residentes fora do país. O voto no exterior teve papel relevante na consolidação da vantagem de Fujimori.

Keiko deve assumir um país profundamente fragmentado. O Peru teve oito presidentes em oito anos, e nenhum dos últimos mandatários conseguiu completar um mandato integral. Três sofreram impeachment, um renunciou depois de apenas seis dias e quatro ex-presidentes estão atualmente presos.

A crise institucional se soma a desigualdades econômicas persistentes entre Lima e as regiões rurais. A desilusão com a política tradicional e o crescimento da insegurança pública foram temas centrais da eleição e ajudaram a moldar o discurso de Fujimori. Com informações do BR 247

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