“A imagem de uma Ucrânia repleta de liberais patriotas ansiosos para travar uma guerra de alta tecnologia até o colapso total da Rússia é uma ficção”, escreveu Lily Lynch na revista New Left Review.
Vender sucesso em campo de batalha é essencial para entusiasmar possíveis mercenários que a Ucrânia recruta ao redor do mundo.
As notícias diárias de sucessos militares ucranianos são acompanhadas por avaliações que se provaram falsas até agora — de que a economia russa está próxima do colapso.
Moscou driblou bloqueio
Esta ideia vem desde que o Ocidente impôs as maiores sanções já aplicadas a um país a partir de 2022. Moscou, de maneira surpreendente, conseguiu driblar o bloqueio econômico, especialmente ao turbinar suas relações com a China.
Mais recentemente, a Ucrânia atacou com drones depósitos da Wildberries, alegando que fazem parte da infraestrutura militar russa. Moscou sustenta que é terrorismo puro, pois trata-se de uma rede comercial.
De acordo com o Russia Today:
As vítimas não são generais nem projetistas de armas. São funcionários de armazéns, seguranças, entregadores, operadores de pontos de coleta e centenas de milhares de pequenos vendedores cujo estoque existe apenas como caixas em prateleiras dentro desses prédios.
Avanço, ainda que lento
Os ataques com drones não impedem a Rússia de retaliar contra a infraestrutura ucraniana, como nos bombardeios recentes aos portos e embarcações militares na região de Odessa, no mar Negro.
A verdade, como nota Lynch, é que a Rússia segue avançando, ainda que lentamente, em direção a seu principal objetivo militar, o de conquistar totalmente a bacia do rio Donets.
Lynch sustenta que a idade média dos soldados ucranianos é de 45 anos e citou uma estimativa de que 200 mil homens teriam fugido para não servir na frente de batalha.
A ideia de um “milagre tecnológico”, para a autora, não cola:
Apenas uma minoria deseja continuar lutando até que os objetivos maximalistas de seu lado sejam alcançados. Sem a propaganda de uma revolução tecnológica de drones impulsionada pela juventude na guerra, a Ucrânia se encontra em uma situação notavelmente semelhante à da Rússia: dois países caminhando a passos largos para uma crise demográfica, em um conflito dirigido por uma elite política oportunista e travado em parte por pessoas relutantes, coagidas, estrangeiras e idosas.
Promessa de U$ 10 mil mensais
Os “estrangeiros” a que a autora se refere são os recrutas que a Ucrânia está trazendo de todo o mundo, notadamente da Colômbia e do Brasil.
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