Dono da Picanha do Bolsonaro é acusado de calote por mulher trans que se recusou a ser ativa

Dono da Picanha do Bolsonaro é acusado de calote por mulher trans que se recusou a ser ativa

Como se diz: conservador é aquele que faz em off tudo o que condena em on

Uma mulher trans acusa o empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás e responsável pela “Picanha de Bolsonaro”, de transfobia, de não pagar R$ 500 por um programa e de fazer ameaças após uma discussão.

Acompanhante de luxo, a vítima procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher na noite de 15 de junho, poucas horas depois do encontro com o empresário, de acordo com informações do Metrópoles. No boletim de ocorrência, ela relatou que o desentendimento começou durante o programa, por causa do tipo de serviço sexual que Leandro pretendia contratar.

Leandro ganhou projeção nacional com vídeos de churrascos, ações de marketing do frigorífico e publicações políticas alinhadas à direita. Próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de outras lideranças bolsonaristas, ele reúne 2,5 milhões de seguidores no perfil da empresa no Instagram e 974 mil em sua conta pessoal.

Entre outras polêmicas,   o empresário já virou notícia por barrar a entrada de petistas em seu estabelecimento e promover uma “chuva de picanha” durante o Natal, como propaganda aos ídolos políticos Flávio e Jair Bolsonaro.

Em outra ação partidária, ele anunciou o quilo do corte nobre por R$ 22 reais no dia das eleições a quem fosse ao frigorífico com camisa do Brasil em 2022. A promoção causou uma grande aglomeração causando uma morte.

O registro policial afirma que o empresário já havia procurado a vítima em 2024 e voltou a entrar em contato em maio. Ela disse ter percebido antes que um perfil ligado ao Frigorífico Goiás costumava visualizar suas publicações no Instagram; depois, Leandro a chamou pelo WhatsApp para marcar o encontro, chegou ao apartamento por volta das 13h e permaneceu no local por cerca de 1h10.

Boletim relata discussão após a vítima reconhecer o empresário

“A declarante diz que fez o atendimento de Leandro (serviços de ordem sexual). Leandro não ficou contente, pois queria ser passivo, e a declarante disse que não fazia ativo. Leandro foi tomar banho e, quando voltou do banheiro, ela percebeu que aquele homem era do Frigorífico Goiás”, diz o boletim de ocorrência.

Ao reconhecer o empresário, a vítima afirmou que o questionou sobre publicações de teor transfóbico feitas por ele nas redes sociais e sobre a contratação dos serviços de uma mulher trans. O boletim relata que Leandro passou a discutir com ela e se alterou; a acompanhante então começou a gravá-lo e disse que iria expô-lo.

Na gravação, ela questiona ataques contra mulheres trans: “Vocês colocam esse fetiche na cabeça de vocês, vocês tratam a gente como homem. Vocês que chamam a gente para comer a mulher de vocês. Vocês que querem que a gente… É por isso que vocês tratam a gente como homem e não querem que a gente use banheiro das mulheres. São vocês”. Leandro responde: “É, mas ele não ameaça, não.” A vítima rebate: “Mas ele ameaçou.”

O boletim também registra que, após o desentendimento, Leandro teria enviado mensagens oferecendo dinheiro para que o vídeo não fosse divulgado. A mulher disse que recusou a proposta e sustentou que nunca pediu qualquer quantia em troca de silêncio. Ela afirmou ainda que o empresário passou a acusá-la de extorsão e a ameaçou: “Eu tenho dinheiro. Eu mando fazer o que eu quiser com você”.

O empresário ficou conhecido ao exibir, na entrada do frigorífico, uma placa com a frase “Petista aqui não é bem-vindo”, retirada depois por determinação da Justiça. Nas redes sociais, ele divulga cortes de carne embalados a vácuo com imagens de Jair Bolsonaro, Donald Trump, Javier Milei e Neymar, além de vídeos de ações promocionais e publicações de apoio a aliados políticos.

Leandro também compartilha conteúdos de teor transfóbico, incluindo postagens com piadas sobre a entrada de mulheres trans em seu estabelecimento e ataques a deputadas trans como Erika Hilton (PSol-SP) e Duda Salabert (PSB-MG). Procurados para comentar as acusações, o empresário e o Frigorífico Goiás não responderam; Leandro também bloqueou o perfil usado para a tentativa de contato.

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