Militares dos Estados Unidos visitaram áreas estratégicas do Brasil em junho, em meio ao debate em Brasília sobre os riscos criados pela classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo Donald Trump. Apesar da tensão diplomática, o Exército afirma que a cooperação militar entre os dois países não sofreu alteração.
Em 15 de junho, militares da United States Naval Academy estiveram no Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus, para conhecer a atuação brasileira em ambiente amazônico e fortalecer a cooperação internacional. Uma semana antes, em 8 de junho, militares da United States Military Academy West Point acompanharam atividades ligadas à atuação do Exército brasileiro em faixas de fronteira.
Os cadetes de West Point também passaram pelo Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro, onde visitaram instalações de relevância institucional e histórica, entre elas o Palácio Duque de Caxias. As agendas ocorreram no mesmo mês em que o governo brasileiro discutia os efeitos políticos e jurídicos da pressão dos Estados Unidos sobre facções brasileiras.
A relação militar foi comentada pelo comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, em 16 de junho, durante o evento WW Talks, da CNN. Questionado sobre a estratégia dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, ele minimizou impactos da deterioração diplomática sobre a cooperação entre os Exércitos.
“Fiz uma visita aos Estados Unidos e fui muito bem recebido agora no mês de março. Houve uma reunião bilateral e fiz uma visita ao nosso embaixador nos Estados Unidos. Acredito que essa relação diplomática segue firme. Ela segue muito tranquila, muito coerente. Existem militares nossos que estão lá, existem militares deles que estão aqui. Então isso não me parece que se alterou neste momento”, afirmou.
A manutenção da cooperação ocorre depois de um período de desgaste entre Brasília e Washington. Em 2025, o governo brasileiro cancelou exercícios militares conjuntos que teriam a presença de norte-americanos. Oficialmente, a decisão foi atribuída à contenção de gastos ligada à Operação Atlas, mas interlocutores também relacionaram o cancelamento ao desgaste provocado pelo tarifaço de Trump e pelas tentativas de influenciar decisões brasileiras.
O governo dos Estados Unidos negou a possibilidade de ação militar no Brasil após tomar conhecimento de um ofício do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao Congresso sobre riscos decorrentes da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Em nota, o Departamento de Estado classificou a hipótese como “absurda” e afirmou que atua, dentro de suas “prerrogativas soberanas”, para combater o que chama de “narcoterroristas”.
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