O missionário estadunidense Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, confessou à Polícia Civil que agrediu o filho, de 3 anos, antes da morte da criança em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ele está preso preventivamente desde o domingo (05), dia em que o caso ocorreu, no distrito de Águas Claras.
A motivação relatada pelo pai em depoimento foi o fato de o menino não ter lhe dado “bom dia”. A mãe da criança também acabou presa, e a Polícia Civil a investiga por omissão no episódio.
Grayson vivia na região com a esposa e o filho e atuava como missionário ligado a uma igreja próxima à área rural de Águas Claras. A família mora no Brasil há nove anos e havia se mudado para Viamão havia cerca de seis meses.
Nas redes sociais, o estadunidense se apresentava como “cantor cristão”. Em uma das publicações, escreveu “God is everything” —“Deus é tudo”, em tradução livre — e, em outro post, publicou um vídeo cantando, com a descrição de que estava “em fervente oração”.
Depoimento descreve agressões contra a criança
À polícia, Grayson relatou ter dado socos no peito e no abdômen do filho. Ele também afirmou que bateu a cabeça da criança contra o chão, conforme as informações repassadas pela investigação.
O próprio pai levou o menino ao hospital de Viamão no domingo (05). A equipe médica identificou múltiplas lesões no corpo da criança e acionou o 18º Batalhão de Polícia Militar.
Policiais militares prenderam o missionário cristão em flagrante no hospital. Por causa da gravidade dos ferimentos, a criança precisou ser transferida para Porto Alegre.
Na segunda-feira (06), durante a audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante de Grayson em prisão preventiva. Moradores de Viamão relataram que ele defendia a submissão da mulher e dizia que o homem deveria ser “autoridade”: “Ele falava que o homem é a autoridade máxima abaixo de Deus, e a mulher e os filhos devem submissão ao homem”, contou um vizinho.
Outras agressões
A Polícia Civil informou que há registros em pelo menos outros dois estados brasileiros que indicam que três dos demais filhos do casal, de 5, 7 e 9 anos, também teriam sido vítimas de agressões semelhantes. A situação de um bebê de um ano ainda é apurada e, até o momento, não há confirmação de que ele tenha sofrido violência.
Por determinação do Conselho Tutelar, os outros quatro filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional. Além dos maus-tratos contra as crianças, a investigação apura possíveis episódios de violência doméstica contra a esposa do missionário. A polícia solicitou uma medida protetiva para a mulher.
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