Estatísticas da Secretaria da Segurança Pública revelam 339 mortos pela PM no 1º semestre, enquanto prisões sobem e déficit no sistema prisional chega a 156%
A Polícia Militar do Estado de São Paulo é responsável pela morte de uma pessoa a cada quase 13 horas no território paulista, segundo estatísticas oficiais divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) referentes ao primeiro semestre deste ano, informa o Metrópoles.
Entre 1º de janeiro e 30 de junho, o levantamento contabilizou 339 pessoas mortas por agentes da PM no período de 180 dias. O volume equivale a uma média diária de 1,8 ocorrência letal no estado. Além disso, os dados detalham que quase um a cada cinco óbitos provocados pela corporação — o equivalente a 18,2% do total — ocorreu com policiais militares que estavam de folga.
A letalidade da Polícia Militar contrasta significativamente com a da Polícia Civil paulista no mesmo intervalo de tempo. No primeiro semestre, os policiais civis mataram 17 pessoas, número 20 vezes menor do que o registrado pela PM no estado.
Histórico da letalidade policial e gestão estadual
O total de 339 mortes registradas nos primeiros seis meses deste ano mostra uma estabilidade em patamar elevado em comparação com o mesmo período do ano passado, quando a PM de São Paulo matou 349 pessoas entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2025 — uma diferença de apenas 10 mortes a menos. No primeiro semestre de 2024, o número de vítimas fatais da Polícia Militar havia sido de 353 pessoas.
Os dados consolidam um salto expressivo na letalidade policial a partir do início da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). No primeiro semestre de 2023, ano em que o atual governo assumiu o Poder Executivo paulista, 201 pessoas haviam sido mortas por agentes da corporação no estado, patamar bem inferior ao observado nos anos subsequentes.
Redução de crimes violentos, alta em prisões e déficit prisional
Em paralelo aos dados de violência policial, os indicadores da SSP mostram que o estado teve uma queda nos índices gerais de criminalidade no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. O total de crimes violentos caiu de 107.373 para 88.946 registros, o que representa um recuo de 38%. Por sua vez, o total geral de delitos variou de 1.441.648 para 1.434.282 ocorrências — mantendo a marca de 5,5 ocorrências registradas por minuto em São Paulo.
Enquanto a criminalidade geral caiu, o volume de prisões efetuadas pelas forças de segurança paulistas (seja em flagrante ou em cumprimento de mandados judiciais) vem crescendo de forma contínua desde o começo do governo Tarcísio. Nos primeiros seis meses de 2023, a polícia havia prendido 81.044 pessoas. No primeiro semestre deste ano, o número de detidos subiu para 96.208 indivíduos.
Esse fluxo contínuo de detenções amplia a pressão sobre o sistema carcerário estadual. Conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o estado de São Paulo enfrenta atualmente um déficit de 85.226 vagas no sistema prisional, operando com uma taxa de ocupação que atinge 156% da sua capacidade projetada.
Recorde nos casos de feminicídio
Os indicadores publicados pela Secretaria da Segurança Pública revelam ainda um recorde histórico na violência contra a mulher no estado. No primeiro semestre deste ano, São Paulo atingiu a marca de 142 vítimas de feminicídio em 180 dias. A média registrada é de uma mulher assassinada por razões de gênero a cada 30 horas.
O indicador supera o total apurado no mesmo período do ano anterior, quando o estado contabilizou 129 casos de feminicídio nos primeiros seis meses de ano, o que representa uma alta de 10% nesse tipo de crime.
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