A impermeabilização do solo e a formação de ilhas de calor reforçam a necessidade de repensar a pavimentação urbana diante da crise climática
A política do asfalto ainda é usada como moeda eleitoral. A lógica do falso desenvolvimento continua sendo vendida pelos veículos institucionais de comunicação, o que evidencia seu poder de manipulação e de ocultamento da verdade. É comum que, em períodos eleitorais, a pavimentação asfáltica sirva como maquiagem para convencer a população. Existe uma ideia consolidada de que o povo quer asfalto, afinal, é antiga a associação entre esse tipo de pavimentação ligada ao desenvolvimento e modernidade.
Vale ressaltar, porém, que nem toda vontade popular é justa, pois ela pode carregar traços de desinformação e alienação. No caso do asfalto, o povo se torna o “peru da Sadia”, ou seja, festeja a própria destruição.
É preciso questionar o discurso único, sobretudo quando orquestrado pelos veículos oficiais (institucionais). Até que ponto esse tipo de comunicação é legítimo, tendo em vista seu caráter de mascaramento e manipulação da verdade, que esconde os impactos ambientais e os prejuízos à infraestrutura urbana?
O argumento de que “o povo quer” não deve ser aplicado quando há efeitos nocivos à sociedade. O norte das políticas públicas deve ter como bússola a ciência, o planejamento e a qualidade de vida da população, com redução dos impactos ambientais.
Há uma relação entre asfalto, imediatismo e mercado que precisa ser combatida por outra lógica de urbanização, que valorize a promoção da saúde, a infraestrutura urbana e a minimização dos danos ambientais.
Por Alexandre Lucas
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