Com a ajuda do MST: Venezuela quer garantir soberania alimentar e nacional

Com a ajuda do MST: Venezuela quer garantir soberania alimentar e nacional

Venezuela quer superar a dependência do petróleo e garantir a soberania nacional, alimentar e territorial

A Venezuela dependeu do seu petróleo por cerca de 100 anos Essa dependência foi aumentando enquanto duas gerações de camponeses que viviam de cultivar a terra, não investiram na produção e desenvolvimento da agricultura. Antecipando-se ao problema que viria com as sanções contra o país a partir de 2014, Hugo Chávez tentou se aproximar do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Brasil (MST). Em 2005, como presidente da Venezuela e líder da Revolução Bolivariana, ele visitou o assentamento do MST Lagoa do Junco, no Rio Grande do Sul.

Chávez, vítima da oposição do neoliberalismo e já sofrendo ataques a sua revolução bolivariana desde que assumiu a presidência da Venezuela em 1999 já queria incentivar a produção agrícola voltada para o mercado interno venezuelano, como forma de resistência. Na visita ao acampamento Lagoa dos Juncos, Hugo Chávez fez o primeiro convite ao MST compartilhar suas experiências com os camponeses venezuelanos.

20 anos depois, o presidente Nicolás Maduro deu sequência fechando um acordo para que o MST ensinasse suas práticas de agricultura orgânica aos camponeses venezuelanos e disponibilizou 180 mil hectares de terra a prática. Os membros do MST chegaram à Venezuela em janeiro de 2025 para ajudar a implantar o projeto Pátria Grande do Sul com o objetivo de produzir 30 mil hectares de feijão, mamão, cana-de-açúcar, inhame, frango, carne de porco, carne bovina e seus derivados, vegetais, milho, etc. . O MST também prepara a produção de um banco de sementes nativas tradicionais e um viveiro de mudas para reflorestamento.

O objetivo é tornar a Venezuela autossuficiente em tudo o que puder produzir para abastecer o país cuja população mais pobre foi duramente afetada pelas sanções impostas pelos EUA que desde 2017 fizeram o país perder US$ 226 bi em receitas petrolíferas. O equivalente a 213% do seu PIB foi-se em perdas de cerca de 77 milhões de dólares por dia, de acordo com o Instituto Transcontinental de Pesquisa Social.

Essa perda fez a inflação disparar na Venezuela registrando em 2019, a maior taxa de inflação interanual que chegou a 344.510%, o que significa que os preços aumentaram 3.400 vezes em um único ano. Isso representa um desastre inimaginável para qualquer país e um enorme fardo para a população mais pobre. Para acabar com o “comunismo” na Venezuela os EUA atingiram duramente a população mais pobre, como sempre. Com os bloqueios e sanções ao petróleo venezuelano, do dia para a noite eles não conseguiam mais comprar alimentos para sustentar o povo, comida que eles compravam de fora nem medicamentos. Resultado disso foi o caos, o povo sem alimentos.

Ao contrário do que é divulgado, a Venezuela também tem seus milionários que tal qual no Brasil vivem em sua própria bolha em seus condomínios de luxo com carros importados e jatinhos particulares. Estes mantiveram suas vidas de privilégios.

A Venezuela vem sendo atacada pelo governo dos EUA desde a primeira eleição de Hugo Chávez em 1998, mas a Ordem Executiva n. 13808 em 2017 desencadeou uma nova onda de sanções financeiras que negaram à Venezuela o acesso a mercados de crédito internacionais, prejudicando severamente sua capacidade de exportação de petróleo.

O que a ordem executiva fez foi impedir que qualquer cidadão estadunidense comprasse nova dívida do governo venezuelano ou comprasse títulos existentes que permitiriam o refinanciamento. Os pagamentos de dividendos da Citgo (a subsidiária estadunidense da empresa petrolífera nacional venezuelana Petróleos de Venezuela, S.A., ou PDVSA) foram interrompidos posteriormente, em janeiro de 2019, quando a empresa foi apreendida e colocada sob o controle de Juan Guaidó, a pessoa que os EUA impôs ao país como seu “presidente”.

Isso impediu a estatal de obter cartas de crédito para garantir remessas de petróleo, encontrar seguro para petroleiros, manter campos de petróleo e conduzir transações com cidadãos não estadunidenses que temiam sanções secundárias. Duas ordens executivas adicionais impostas por Trump restringiram ainda mais o acesso da Venezuela ao financiamento e visaram compradores de seu petróleo, particularmente na Europa e na Índia.

As sanções minaram o impacto positivo das múltiplas reformas e a capacidade do Estado de manter a infraestrutura e continuar a implementar programas sociais.

Porquê o MST

A capacidade do MST de produzir alimentos é reconhecida em todo o mundo. Exemplo disso foi a doação de  25 toneladas de alimentos a 35  cozinhas solidárias de São Paulo, na sexta-feira (9). As doações provenientes da agricultura familiar incluem frutas, verduras, legumes, arroz, feijão e outros grãos produzidos em todo o país e cultivados sem agrotóxicos. As cozinhas solidárias atendem famílias periféricas, crianças, idosos, população de rua  e diversas comunidades.

Com o lema que a solidariedade é uma ferramenta de humanização e empatia, o MST sempre doa alimentos à populações afetadas por desastres climáticos no Brasil, mas nunca recebeu a atenção e reconhecimento de governo nenhum, traduzidos por políticas públicas. Lhe sobra reconhecimento internacional. Leia Mais

 

 

 

 

 

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