Sem luz, sem água, muitas vezes sem comida para os filhos, 17 famílias que sobrevivem do Auxílio Brasil ocupam uma área no Jequitibá, em Rio Branco, há uma semana. A opção por armar barracos no terreno baldio foi tomada porque tiveram que escolher entre dar comida aos filhos ou pagar aluguel. Preferiram arriscar.
Segundo vizinhos da ocupação, o terreno vago está intocado pelo poder público há 12 anos, mas bastou as famílias tentarem se estabelecer no local para aparecerem funcionários da prefeitura de Rio Branco acompanhados pela polícia e alegando possuírem uma decisão judicial que os respalda, exigirem a desocupação.
“Eles dizem que aqui é a Quadra 8 e consta no mapa da prefeitura como tendo casas do governo, mas aqui não tem casa. Nunca teve. Essa tal Quadra 8 só existe no mapa deles. Na realidade não existe”, afirma um ocupante sob a garantia do anonimato.
Os precários barracos foram abaixo. Segundo denúncias dos ocupantes, sob a ameaça de derrubar tudo por cima das crianças. Na ocupação existem crianças de três meses. No meio da confusão, a ameaça de acionar o Conselho Tutelar para retirar as crianças das famílias, caso não saiam do terreno.
Apesar do medo de que cumpram a promessa de separá-los dos filhos, os barracos foram reconstruídos com outros materiais porque os que foram derrubados, foram levados. “A gente sabe que eles vão voltar e derrubar de novo, mas não temos para onde ir. Não é birra. O nome disso é necessidade”.
A situação precária é agravada pelas fortes chuvas que atingem Rio Branco. Algumas famílias não têm sequer alimentos.
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Desabafo
O ativista político Francisco Panthio postou um desabafo sobre a situação nas redes sociais:
“Moradores do conjunto Jequitibá em Rio Branco, me ligaram cedo hoje para ajudar a denunciar o absurdo cometido pela prefeitura e porque não dizer? A Justiça também. Fica fácil para um magistrado ganhando um salário absurdo, tendo auxílio moradia e etc, conceder ordem de despejo em desfavor dessas famílias, sem cobrar uma contrapartida social da prefeitura e das instituições de Amparo Social.
A cena é de partir o coração, de uma desumanidade sem igual, mas que fique claro, não dos policiais e fiscais que apenas cumprem os mandados, mas sim de quem ordena tal barbaridade. Não se tem um programa de moradia no estado, não se vê acesso fácil a um aluguel social e muito menos responsabilidade de Amparo Social a este tipo de família.
Deixo aqui um apelo ao MPE, TJ e as equipes de assistência social do estado e município, “Não sejam tão cruéis diante de tais situações.
Revoltante!”.
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