Coluna da Angélica- Fogo no parquinho de Bocalom

Coluna da Angélica- Fogo no parquinho de Bocalom

1- Triste fim

A coluna adiantou mais de um mês atrás que iriam pipocar acusações de assédio sexual na prefeitura que fariam o caso do ex-secretário municipal de Saúde Frank Lima parecer brincadeira de criança. O prefeito ignorou o alerta. Pois começou. Agora que a porta foi aberta, outras virão. Funcionários da prefeitura garantem que tem mais gente envolvida. Segundo eles, parte do secretariado de Bocalom é escancaradamente misógina. O prefeito Tião Bocalom (PP), tem a chance de fazer uma investigação e “um limpa” e assim ganhar pontos. Se insistir em dar proteção aos amigos tende a se afogar junto com eles, mas pelo que já vimos do prefeito ele vai tomar o partido Dozamigos. Se fosse cuidadoso, Bocalom não reconduziria os exonerados por Marfisa Galvão (PSD) sem apurar bem os fatos. Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Além do que tem quem afirme que sem querer a vice-prefeita está fazendo um favor um titular. Aguardemos.

2-…de Policarpo Quaresma

O  assessor especial para assuntos parlamentares, Hélder Paiva foi vereador pela capital e teve 4 mandatos consecutivos de deputado estadual. Como contribuição ao Acre deixou a criação do Dia do Evangélico. Uma característica da conciliação de líder da Igreja Assembleia de Deus com a política. Será traumático para o prefeito reverter o afastamento dele assinado pela prefeita em exercício Marfisa Galvão, antes do resultado de uma investigação. E talvez, até depois da conclusão. Nos corredores da prefeitura a informação é que motivadas pela acusação da funcionária da Câmara dos Vereadores, funcionárias da prefeitura estariam dispostas a depor no Ministério Público, a exemplo do que aconteceu no caso Frank Lima. Todos torcem para que tudo seja esclarecido, inclusive os amigos de Hélder Paiva que esperam ver sua reputação restabelecida. Enfim. O escândalo está posto.

3-Sem recuar

A vice-prefeita Marfisa Galvão não tem intenção de recuar de suas posições nem permitir que a Casa Civil governe na ausência do titular. Segundo informações, ela própria teria sido vítima do machismo da “Trinca do Mal”. Na verdade, olhos atentos dão conta que a exemplo dos Três Mosqueteiros que na verdade eram 4, existe um quarto elemento nesta “Trinca”. Todos os dedos apontam para o coordenador de campanha da vice-governadora Mailza Assis. Ele seria o responsável por colocar uma venda nos olhos do chefe do executivo municipal e convencer Bocalom que tudo o que falam contra o prefeito é intriga da oposição e que Bocalom é amado pelo povo. Se quiser a reeleição, Tião Bocalom precisa retirar a venda e enxergar a realidade para poder tentar reverter a situação.

4-Caravana da BR

O fato da maioria dos políticos que integram a Caravana da BR 364 não terem feito essa ação no governo passado, apesar de serem apoiadores e terem feito campanha pela reeleição de Jair Bolsonaro (PL), é simples- sabiam que não adiantaria. O que aliás só depõe contra eles. Porque tinham consciência que Bolsonaro não estava nem aí para o Acre nem para o Brasil. Seu projeto era de poder pessoal e familiar. Não tinha um projeto de Brasil. Mesmo assim o apoiaram. Apesar dos crimes. Das agressões ao Congresso, ao STF, TSE e à Constituição Federal. Do aumento do desemprego, da fome e miséria, da inflação. Mesmo assim foi considerado herói por uma parcela da população mantida sob o temor de um governo “comunista”. Retórica dos EUA nos anos 1950/ 1960. Atrasada em 73 anos. Ultrapassada. Principalmente porque o PT não pode sequer ser considerado Esquerda. É Centro-Esquerda. Social-Democracia. Quanto menos, comunista. Pois em meio ano de governo social-democrata de Lula (PT), os programas sociais voltaram, os pobres estão voltando a comer, a inflação está sendo controlada apesar da atuação contrária do Banco Central, o Brasil voltou a ser respeitado internacionalmente, investimento em obras voltaram a ser feitos e os parlamentares do Acre podem realizar sua caravana pela BR 364 e fazer reivindicações. Nunca é tarde para aprender.

5-Sem choro nem vela

Bolsonaro, aliás, está isolado. Não tem apoio nem do partido dele, o PL. Dentro do PL começaram a tocar a vida sem ele, antes mesmo da condenação que o deixou inelegível. A informação é que líderes da Direita torciam pela inelegibilidade dele. O próprio presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, estava de férias nos EUA, enquanto Jair Bolsonaro era julgado pelo TSE. Com a condenação se livrou da influência do ex-presidente e pode definir os candidatos do partido. Não precisa aceitar indicações de Bolsonaro. Ninguém foi ao plenário defende-lo. Não houve manifestação de rua a favor dele apesar de ter sido criada uma corrente para insuflar uma manifestação. Ao contrário, as manifestações que têm ocorrido são negativas. Bolsonaro tentou sem sucesso criar um grupo de Whatsapp com políticos. Está preocupado com a possibilidade de prisão. A inelegibilidade foi o resultado de um dos 16 processos. Tem pela frente 15 outras ações. E a CPI da Covid. Seu ajudante de ordens, Coronel Mauro Cid, que foi abandonado pelo ex-chefe,  prestou novo depoimento à Polícia Federal no último dia 30. Um depoimento de 4 horas. Internacionalmente a posição de Jair Bolsonaro também é desconfortável. Os incêndios de carros, tentativa de bomba e depredação dos poderes, chocaram o mundo. Parece que de chefe de uma nação zumbi, ele se transformou no Dick Vigarista da Corrida Maluca.

6- Anistia

De acordo com o deputado Sanderson (PL- RS), autor do projeto, este já conta com 70 assinaturas. Da bancada federal do Acre, apenas o coronel Ulysses (União), assinou. A proposta prevê a anulação da condição de inelegibilidade para condenados por “ilícitos cíveis eleitorais ou declarados inelegíveis” a partir de 2 de outubro de 2016. É uma reação a inelegibilidade de Bolsonaro aprovada na semana passada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Uma proposta fadada ao fracasso. Todos os que assinaram sabem que a proposta não tem chance de prosperar. Nem Arthur Lira, que está na corda bamba, nem o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD) vão ousar desafiar a justiça e criar uma ruptura com TSE e STF. A proposta só serve para fazer barulho ou como definiu o jornalista Guga Noblat “só serve para dar holofote a um monte de parlamentar sem luz própria”. Patético.

7-Acordão

Para dar visibilidade ao cunhado Israel Milani (Republicanos), o deputado Tadeu Hassem (Republicanos) terá que ceder o mandato ao suplente Wagner Felipe (Republicanos). A coisa fica assim: a deputada federal Antônia Lúcia (Republicanos),  se afasta por 120 dias para  Milani  assumir. Em troca Tadeu se afasta para que Wagner Felipe assuma por igual período. Dessa maneira, Israel Milani que é casado com Fernanda Hassem, prefeita de Brasiléia e irmã de Tadeu,  consegue visibilidade para as próximas eleições e Antônia Lúcia contempla o segmento evangélico que a apoia. No jogo sobra para o povo que vai pagar os salários dos titulares e dos suplentes. Não é só no xadrez que o peão é sacrificado. No jogo político também.

8- Consequências

As questionadas obras no aeroporto do Jordão finalmente serão apuradas. O Ministério Público decidiu no final de junho abrir um  inquérito para apurar as denúncias de improbidade administrativa nas obras de revitalização do Aeródromo de Jordão. O atuante promotor Júlio César de Medeiros, destaca que houve dano ao erário observado na falta da execução total das obras de revitalização, o que aponta para possível uso inadequado das verbas pela Empresa Coluna Ltda, Deracre e Prefeitura de Jordão, que pode ter sido no mínimo omissa. Acredite se quiser, nem o prefeito, nem o responsável pela empresa e nem o Deracre responderam ao ofício encaminhado pelo MPAC. Não deram a mínima. Ou se consideram acima da Lei ou com as costas protegidas ou apostaram em inoperância do órgão controlador. Quebraram a cara. Para o promotor, o descaso justifica as medidas judiciais. O Acre merece um promotor desse quilate em cada município e não sobrecarregá-lo com a responsabilidade sobre dois municípios, Tarauacá e Jordão, como ocorre.

9- Devagar com o andor

O presidente do União Brasil, Luciano Bivar, deu no meio da linha do senador Alan Rick (União). A primeira medida de Alan ao assumir a direção estadual do partido foi dissolver os diretórios municipais. A medida desagradou os presidentes municipais que reclamaram para a executiva nacional.  Bivar não perdeu tempo e anulou a decisão de Alan. Assim, para mostrar quem manda, Luciano Bivar reativou os diretórios municipais e recolocou as diretorias. Espremido entre a intenção de se aproximar cada vez mais do presidente Lula e tendo como vice-presidente do partido, Antônio Rueda que tem o irmão Fábio com pretensões políticas no Acre, Bivar não vê com simpatia a atuação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro no União Brasil.  Alan quer o governo do Acre, mas Fábio Rueda, irmão do vice-presidente do partido não pode vir a ser prejudicado pelas decisões do novo presidente estadual. As cartas estão postas. Aguardemos o desenrolar do jogo.

Bom dia, Marcus Alexandre. É verdade que Vossa Excelência, futuro prefeito de Rio Branco, está fazendo jogo de cena com o MDB e com o PSD e a escolha será por um terceiro partido que ainda não apareceu publicamente e do qual lhe foi oferecido o comando?

Esta é uma coluna de opinião

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